Pecuária Regenerativa
Por Mauro Lúcio
Com uma vasta extensão de aproximadamente 20 milhões de hectares, representando mais de 10% do território do estado, a pecuária no Pará se destaca como uma atividade essencial à economia local. O estado abriga o segundo maior rebanho do Brasil, com cerca de 26 milhões de animais. Além de sua significativa produção, o Pará é reconhecido internacionalmente por seu status sanitário como Zona Livre da Febre Aftosa sem Vacinação, certificado pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA).
Nesse contexto promissor, a pecuária regenerativa avança robustamente no Pará, emergindo como uma estratégia crucial para harmonizar produtividade, rentabilidade e sustentabilidade.
Em suas palestras, Mauro Lúcio explica que essa abordagem inovadora envolve pequenos, médios e grandes produtores que adotam práticas de manejo regenerativo. Ao contrário do sistema extensivo, que permite que o gado permaneça solto por longos períodos, a pecuária regenerativa demanda uma observação diária atenta.

A transição para esse modelo é impulsionada por metodologias modernas, como o uso de quadriciclos e cercas móveis, além do conceito revolucionário da “Super Cria Regenerativa”, que foca na maximização da produtividade por área e no bem-estar animal. Essa metodologia torna os animais mais dóceis, facilitando o manejo diário e reduzindo os riscos de acidentes durante a movimentação do rebanho. Além disso, o sistema é projetado para ser acessível, permitindo a inclusão de pessoas com menos experiência e tornando a atividade mais atrativa para jovens, contribuindo assim para a sucessão familiar no campo.
Segundo Leonardo Andrade, gerente da Fazenda Tijuco, localizada a 100 km de Paragominas, a incorporação de tecnologia inovadora tem um impacto positivo na produção sustentável. Com uma área de 4.300 hectares, a Fazenda Tijuco investe na capacitação e segurança de seus colaboradores, além de empregar métodos modernos, como a intensificação da Super Cria, utilizando cercas móveis que otimizam a capacidade de produção. Leonardo ressalta que a cerca elétrica móvel é uma ferramenta fundamental para a pecuária regenerativa, permitindo a rotatividade eficiente, a divisão das pastagens e o controle rigoroso do tempo de ocupação e descanso do solo.
Pedro Paulo Costa, inspetor de segurança no trabalho, destaca que a transição para a pecuária regenerativa não apenas melhorou a produção, mas também transformou a vida das pessoas e a segurança no ambiente de trabalho, alinhando-se às normas de segurança rural. Uma fazenda que investe na segurança e formação da sua equipe está cumprindo os critérios de ESG (Ambiental, Social e Governança), o que facilita a obtenção de créditos agrícolas e a venda de carne para mercados premium.
A zootecnista Thacylla Santos Gomes, enfatiza a importância da qualificação contínua dos colaboradores na implementação da pecuária regenerativa. Segundo ela, o colaborador passa a ser mais do que um executor de tarefas, tornando-se um gestor de ecossistemas. O sucesso da propriedade está diretamente ligado à capacidade da equipe de compreender e aplicar os novos processos. Um colaborador bem treinado é capaz de identificar o momento exato de trocar o lote de piquete, garantindo a integridade da pastagem e promovendo o sequestro de carbono no solo.
José de Paula, colaborador da Fazenda Tijuco, que recentemente começou a trabalhar com a técnica da Super Cria Regenerativa, ressalta a inovação do método. Ele destaca que a abordagem tem potencial para impulsionar a fase de cria, resultando em bezerros mais pesados por hectare, através da saúde do solo, manejo intensivo, controle do ganho de peso com animais mais dóceis e adequada distribuição de água nos bebedouros.
A rastreabilidade também se apresenta como um programa essencial para o monitoramento ambiental e sanitário, servindo como um vetor importante para políticas públicas e iniciativas privadas. Esse esforço é crucial para garantir a integridade da cadeia produtiva, respeitando normas sanitárias, fundiárias e socioambientais, e se alinha às ações do governo do Pará no combate ao desmatamento na Amazônia.

Esses fatores são determinantes para manter o Pará como o maior exportador de bovinos em pé do Brasil, conforme dados do Núcleo de Planejamento e Estatísticas (Nuplan) da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap).