Ações integradas reforçam combate à vassoura-de-bruxa da mandioca no Marajó e alertam para risco iminente no Pará

 Ações integradas reforçam combate à vassoura-de-bruxa da mandioca no Marajó e alertam para risco iminente no Pará

Por ROBERTO BARBOSA/R3 Comunicação

Uma ampla mobilização interinstitucional em defesa da produção agrícola mobilizou autoridades e comunidades no município de Portel, no arquipélago do Marajó. A iniciativa, liderada pela Agência de Defesa Agropecuária do Pará em parceria com o Ministério Público do Estado do Pará e a Prefeitura Municipal, teve como foco o combate preventivo à vassoura-de-bruxa da mandioca — doença que ameaça diretamente uma das principais cadeias produtivas da região.

A ação ganha ainda mais relevância diante do cenário preocupante no estado vizinho, o Amapá, onde a praga já foi confirmada em 13 municípios, acendendo um alerta para o risco de disseminação no território paraense.

Educação e prevenção no centro da estratégia

Ao longo de uma semana, equipes técnicas realizaram atividades educativas em escolas públicas e comunidades rurais, especialmente em áreas produtoras de farinha — principal base econômica local. As ações ocorreram simultaneamente ao projeto Conselho Nacional de Justiça Justiça Itinerante, ampliando o alcance dos serviços de cidadania e orientação.

Na comunidade São Benedito, no assentamento Acutipereira, agricultores familiares participaram de palestras conduzidas por técnicos da Adepará. A fiscal agropecuária Marluce Bronze destacou a importância da identificação precoce dos sintomas da doença e da adoção de medidas preventivas para evitar sua propagação.

A vassoura-de-bruxa é causada por fungos que comprometem o desenvolvimento das plantas, provocando crescimento desordenado de ramos e folhas, que passam a apresentar aspecto seco e deformado — semelhante a uma vassoura velha, o que originou o nome popular da doença.

Comunidade engajada e consciente

Entre os participantes, o agricultor Pedro Corrêa da Silva, de 69 anos, reforçou o impacto das orientações recebidas para a realidade local.

“A gente trabalha por conta própria e muitas vezes não tem conhecimento. Isso é muito bom para a comunidade buscar socorro e fazer tudo o que for possível para ela não entrar nas nossas roças”, afirmou.

As equipes também atuaram junto à CoopMarajó, promovendo orientações durante encontros com produtores na comunidade Manain, onde funciona uma casa de farinha certificada pela Adepará.

Fiscalização e alerta nos portos

Além das ações educativas, a mobilização incluiu distribuição de materiais informativos em áreas estratégicas, como portos e a orla de Portel. A iniciativa buscou conscientizar feirantes, comerciantes e transportadores sobre os riscos econômicos da doença e a importância do cumprimento das normas sanitárias.

O secretário municipal de Agricultura, Nilson Silva, destacou o risco real de contaminação, especialmente devido à intensa ligação fluvial entre Portel e o Amapá.

“Existe um grande risco de contaminação, por isso esse trabalho é tão importante para proteger a principal fonte de renda de muitas famílias”, alertou.

Medidas sanitárias e articulação institucional

A atuação conjunta também envolveu o Núcleo de Questões Agrárias e Fundiárias do MPPA, que promoveu diálogo com empresas de navegação responsáveis pelo transporte entre os estados.

Durante reunião conduzida pela promotora de Justiça Ione Nakamura, foram discutidas medidas fitossanitárias rigorosas, incluindo o cumprimento de portarias que restringem temporariamente o transporte de determinados produtos vegetais provenientes do Amapá.

“Estamos na iminência de uma crise fitossanitária”, destacou a promotora, enfatizando a necessidade de controle rigoroso nas rotas fluviais.

Continuidade das ações no Marajó

A Adepará informou que a mobilização terá continuidade na região ocidental do arquipélago. Entre os dias 22 e 27 de junho, novas ações educativas serão realizadas nos municípios de Bagre, Breves e Melgaço.

Segundo o gerente de Educação Sanitária da Agência, Carlos Alexandre Mendes, o objetivo é fortalecer a vigilância local e proteger a produção de mandioca — elemento central para a segurança alimentar e a geração de renda no Marajó.

Economia e segurança alimentar em jogo

A mandioca e seus derivados, especialmente a farinha, representam não apenas um produto cultural e alimentar essencial na Amazônia, mas também a base econômica de milhares de famílias. A chegada da vassoura-de-bruxa poderia causar impactos devastadores, comprometendo plantações, reduzindo a produtividade e afetando diretamente o sustento das comunidades rurais.

Diante desse cenário, a integração entre poder público, produtores e sociedade civil se mostra fundamental para impedir o avanço da praga e garantir a preservação de uma das mais importantes cadeias produtivas da região amazônica.

Com informações e fotos da Adepará

Roberto Barbosa

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