Pará consolida protagonismo no comércio exterior e amplia superávit para US$ 21,5 bilhões em 2025
Por ROBERTO BARBOSA/R3 Comunicação
O Estado do Pará reafirmou sua posição estratégica na economia brasileira ao encerrar 2025 com um superávit de US$ 21,5 bilhões na balança comercial, o terceiro maior do País. O resultado, que representa crescimento de 2,6% em relação ao ano anterior, evidencia a força do setor exportador paraense e reforça o papel do Estado como um dos principais motores do comércio exterior nacional.
Os dados fazem parte do Boletim de Comércio Exterior do Pará 2025, elaborado pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), e apontam um cenário de expansão sustentado, com destaque para os segmentos mineral e agropecuário, responsáveis pela maior parte das vendas externas.
Crescimento acima da média nacional
Em 2025, o Pará alcançou US$ 24,2 bilhões em exportações, crescimento de 5,4% em relação ao ano anterior — desempenho superior à média nacional, que ficou em 3,5%. Com isso, o Estado passou a responder por cerca de 7% de todas as exportações brasileiras, consolidando-se como o quinto maior exportador do País.
Esse desempenho reforça a vocação exportadora do Pará, cuja economia apresenta forte inserção no mercado internacional. Dados do próprio estudo indicam que as exportações chegaram a representar 43,6% do Produto Interno Bruto (PIB) estadual, um percentual quase três vezes superior à média brasileira.

Mineração lidera, mas agro ganha espaço
A pauta exportadora segue fortemente concentrada na mineração. O minério de ferro lidera com folga, somando US$ 11,6 bilhões e respondendo por 48% de todas as exportações do Estado. Em seguida aparecem os minérios de cobre (US$ 3,6 bilhões) e a alumina calcinada (US$ 1,9 bilhão).
Apesar da predominância mineral, o agronegócio tem ampliado sua participação. As exportações de carne bovina desossada cresceram expressivos 70,3%, atingindo US$ 1,2 bilhão, enquanto a soja registrou alta de 6,9%, totalizando US$ 1,6 bilhão.
Esse movimento indica uma gradual diversificação da pauta exportadora, ainda que concentrada em commodities.
Concentração regional e protagonismo de municípios mineradores
O levantamento revela também uma forte concentração geográfica das exportações. Cerca de 90% das vendas externas do Pará estão concentradas em apenas dez municípios.
Canaã dos Carajás lidera o ranking, com US$ 6,6 bilhões exportados, seguido por Parauapebas (US$ 5,3 bilhões) e Barcarena (US$ 3,4 bilhões). Marabá também se destacou, com crescimento de 22,6% e exportações de US$ 3,2 bilhões.
Outro dado relevante é o desempenho de Itaituba, que apresentou a maior expansão percentual entre os municípios, com crescimento de 132,2% nas exportações.
China segue como principal destino
No cenário internacional, a China permanece como o principal parceiro comercial do Pará, absorvendo US$ 11 bilhões em produtos — o equivalente a 45,6% de tudo o que o Estado exporta. Entre os principais itens enviados ao país asiático estão minério de ferro, soja, carne bovina e derivados de cobre.
Além da China, Malásia e Estados Unidos aparecem entre os principais destinos. O mercado europeu também demonstrou crescimento significativo, com aumento de 17,5% nas exportações para o continente e de 10,8% especificamente para a União Europeia.
Importações crescem e refletem demanda industrial
As importações paraenses também apresentaram forte expansão em 2025, totalizando US$ 2,7 bilhões — alta de 33,7% em relação ao ano anterior. O crescimento está diretamente ligado à demanda por insumos estratégicos, especialmente combustíveis e fertilizantes.
O gasóleo (óleo diesel), importado principalmente da Rússia, lidera a pauta, com US$ 316,5 milhões. Também se destacam o gás natural liquefeito dos Estados Unidos e fertilizantes provenientes de países como Canadá, Marrocos e Egito.
Barcarena concentra a maior parte das importações, seguida por Belém, além de municípios como Marabá, Parauapebas e Santarém, que também registraram crescimento relevante.

Desafios: diversificação e agregação de valor
Apesar dos números positivos, o estudo aponta desafios estruturais importantes. A forte dependência de commodities minerais e agropecuárias expõe a economia estadual às oscilações do mercado internacional e reforça a necessidade de diversificação produtiva.
Especialistas defendem que o avanço da bioeconomia e o investimento em tecnologia e inovação podem abrir novas frentes de desenvolvimento, especialmente com o aproveitamento sustentável da biodiversidade amazônica.
A perspectiva é de que iniciativas voltadas ao chamado “vale bioamazônico” ganhem espaço nos próximos anos, ampliando a geração de emprego, renda e valor agregado às exportações paraenses.

Perspectivas
Com desempenho consistente e crescimento acima da média nacional, o Pará se consolida como um dos principais protagonistas do comércio exterior brasileiro. Ao mesmo tempo, o cenário aponta para a necessidade de uma estratégia de desenvolvimento que combine expansão econômica com diversificação e sustentabilidade.
O desafio, agora, será transformar a força exportadora em desenvolvimento mais equilibrado, capaz de beneficiar um número maior de municípios e setores produtivos em todo o Estado.
Fotos: Fapespa e Simineral
