Brasil pode liderar nova economia mineral com agenda estratégica da ANM, aponta gestão interina

 Brasil pode liderar nova economia mineral com agenda estratégica da ANM, aponta gestão interina

Por PEDRO MEDINA/R3 Comunicação

A gestão do diretor-geral em exercício da Agência Nacional de Mineração, José Fernando de Mendonça Gomes Júnior, tem buscado reposicionar o papel do setor mineral na economia brasileira. Durante o “Seminário da ANM – uma agenda para o Brasil”, o dirigente apresentou diretrizes estratégicas que pretendem transformar o potencial mineral do país em desenvolvimento sustentável e geração de valor.

Segundo Gomes Júnior, os minerais e metais são a base da sociedade moderna e colocam o Brasil em posição privilegiada na corrida global por minerais críticos e estratégicos. Apesar de figurar entre os líderes mundiais em potencial geológico, o país ainda enfrenta dificuldades para converter essa riqueza em valor agregado, permanecendo concentrado, em grande parte, na exportação de commodities.

Para enfrentar esse cenário, a ANM desenvolveu um dashboard analítico inovador, estruturado em metodologia multicritério com base em dados públicos e reconhecidos internacionalmente. A ferramenta permite simulações e análises de sensibilidade por tipo de mineral, oferecendo suporte técnico para decisões estratégicas e políticas públicas mais assertivas.

O diagnóstico apresentado pela agência identificou gargalos históricos que limitam o avanço do setor, como entraves no licenciamento ambiental, deficiência logística, baixo investimento em tecnologia, dificuldades de financiamento e lacunas no conhecimento geológico. Esses fatores, segundo a ANM, impedem o adensamento das cadeias produtivas — etapa essencial para ampliar os impactos macroeconômicos da mineração.

Inspirado em modelos adotados por países como Estados Unidos, Canadá, membros da União Europeia, Japão, China e Coreia do Sul, o plano propõe uma agenda integrada baseada em nove eixos estratégicos. Entre eles, destacam-se a modernização regulatória, o fortalecimento institucional da ANM, o incentivo à inovação tecnológica, o avanço no conhecimento geológico e a criação de instrumentos econômicos para estimular investimentos.

Também ganham relevância propostas voltadas à sustentabilidade, como a mineração secundária e a economia circular, além da chamada “diplomacia mineral”, que busca inserir o Brasil de forma mais competitiva no cenário internacional.

Outro ponto central é o estímulo ao adensamento produtivo, com foco no desenvolvimento de cadeias industriais ligadas aos minerais, ampliando a geração de emprego, renda e tecnologia no país. A estratégia prevê ainda a definição de zonas prioritárias para implementação das políticas, garantindo maior eficiência e direcionamento dos investimentos.

Para a atual gestão da ANM, o desafio não está apenas em extrair recursos, mas em construir uma política mineral integrada, capaz de alinhar governança, sustentabilidade e desenvolvimento econômico — colocando o Brasil em posição de protagonismo na nova economia global baseada em minerais estratégicos.

Fotos: Divulgação

Roberto Barbosa

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