Cachaça ganha força no Brasil e produção paraense aposta na tradição de Abaetetuba e no sabor do jambu

 Cachaça ganha força no Brasil e produção paraense aposta na tradição de Abaetetuba e no sabor do jambu

Anuário do Ministério da Agricultura aponta crescimento de 21% na cadeia produtiva da cachaça no país. No Pará, produtores investem na tradição artesanal e em bebidas com identidade amazônica para conquistar novos mercados.

ROBERTO BARBOSA/R3 Comunicação

O crescimento da produção de cachaça no Brasil também reforça o potencial do Pará no mercado de bebidas artesanais. Conhecido pela tradição na fabricação de aguardente em Abaetetuba e pela produção da cachaça de jambu, o estado acompanha um cenário nacional de expansão do setor, que registrou o maior crescimento dos últimos sete anos.

Dados do Anuário da Cachaça 2025, divulgado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), mostram que o Brasil contabilizou 1.583 estabelecimentos registrados na cadeia produtiva da bebida no ano passado, um aumento de 21% em relação a 2024. O levantamento reúne fabricantes, padronizadores, envasadores e atacadistas e aponta que, desde 2018, o número de empreendimentos cresceu 61%.

Embora Minas Gerais e São Paulo concentrem a maior parte da produção nacional, o Pará mantém uma tradição reconhecida na fabricação artesanal de aguardente, especialmente em Abaetetuba, município onde pequenos produtores preservam técnicas passadas de geração em geração.

Além da bebida tradicional, o estado vem se destacando com a produção da cachaça de jambu, que combina a destilação da cana-de-açúcar com uma das plantas mais emblemáticas da Amazônia. O resultado é uma bebida de sabor marcante e efeito característico de dormência na boca, cada vez mais presente em eventos gastronômicos, no turismo regional e em estabelecimentos especializados.

Especialistas avaliam que a valorização de produtos com identidade amazônica representa uma oportunidade para ampliar mercados, fortalecer o empreendedorismo local e agregar valor à produção artesanal paraense.

Exportações avançam, mas setor ainda busca espaço

O anuário também mostra que a cachaça brasileira chegou a 76 países em 2025. As exportações alcançaram quase 8 milhões de litros, crescimento de 19,4% em relação ao ano anterior.

Os Estados Unidos lideraram as compras em valor financeiro, enquanto o Paraguai foi o maior importador em volume, adquirindo aproximadamente 1,34 milhão de litros.

Apesar dos números positivos, o presidente do Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac), Vicente Bastos, avalia que a participação da bebida brasileira no mercado internacional ainda é pequena diante do potencial do setor. Segundo a entidade, o volume de produção declarado em 2025 foi de 234,48 milhões de litros, uma redução de 15,77% em comparação com 2024.

Produção gera empregos

A cadeia produtiva da cachaça está presente em 844 municípios brasileiros e manteve, em média, 6.232 empregos diretos em 2025, o equivalente a 4,4% dos postos de trabalho da indústria nacional de bebidas.

Para estados como o Pará, onde predominam pequenos produtores e empreendimentos familiares, o fortalecimento do setor pode representar novas oportunidades de renda, turismo e valorização da cultura regional.

Consumo exige atenção

O Ministério da Agricultura orienta os consumidores a comprarem apenas bebidas registradas no Mapa. O número de registro deve constar no rótulo e garante que o produto passou pelos controles exigidos pela legislação.

A recomendação ganhou ainda mais importância após os casos registrados entre setembro e dezembro de 2025, quando bebidas destiladas adulteradas com metanol provocaram intoxicações graves, casos de cegueira e mortes em diferentes regiões do país.

O Ministério da Saúde também reforça que não existe quantidade segura para o consumo de bebidas alcoólicas. Pessoas que enfrentam dependência podem buscar atendimento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS), nos Centros de Atenção Psicossocial Álcool e Drogas (CAPS AD) e nas Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Fotos: Reprodução

Roberto Barbosa

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