Comunidades ribeirinhas transformam realidade local em projetos de ciência no Pará

 Comunidades ribeirinhas transformam realidade local em projetos de ciência no Pará

VIII FEIRA DO RIO ACUTIPEREIRA REÚNE ESCOLAS E INSTITUIÇÕES E APRESENTA SOLUÇÕES SUSTENTÁVEIS PARA MORADIA, SANEAMENTO, ÁGUA E PRODUÇÃO

Por ROBERTO BARBOSA/R3 Comunicação

A realidade das comunidades das águas e das florestas virou tema de projetos científicos, culturais e educacionais durante a VIII Feira do Rio Acutipereira. Realizado desde 2016, o encontro reúne comunidades e escolas localizadas no PEAEX Acutipereira e no entorno para compartilhar conhecimentos, experiências e buscar parcerias voltadas à melhoria da qualidade de vida no território.

A programação colocou os estudantes no centro das atividades, especialmente durante a feira de ciências, na qual os projetos foram construídos a partir de problemas e características encontrados nas próprias comunidades.

Participaram as escolas anexas da Escola Referência Santo Ezequiel Moreno, sob gestão do professor Gilney Brito, além das escolas referências Dr.ª Dalva Patriarca, do rio Camarapí, e Esterfânia Monteiro, do rio Anapú.

O primeiro dia terminou com apresentações culturais de dança, teatro, recital de poemas e poesias.

Tecnologia de baixo custo para comunidades ribeirinhas

Entre os projetos apresentados esteve “Casa Ribeirinha do Futuro — Tecnologias sustentáveis de baixo custo para viver, produzir e cuidar do território”.

A proposta tomou a comunidade Santo Ezequiel Moreno como referência para discutir questões diretamente relacionadas à vida ribeirinha: moradia, saneamento, água, produção de alimentos, aproveitamento de recursos naturais e manejo de resíduos.

A proposta buscou mostrar que tecnologias sustentáveis não precisam necessariamente ser caras ou distantes da realidade local. A ideia é adaptar soluções às características amazônicas, preservando cultura, território e modos de vida.

Os estudantes foram protagonistas na apresentação e defenderam o projeto diante da banca avaliadora.

O resultado foi o segundo lugar na Feira de Ciências. A premiação foi recebida com emoção pelos alunos, que também tiveram a oportunidade de desenvolver habilidades de comunicação, autonomia, pesquisa e trabalho coletivo.

Conhecimento tradicional e ciência

O primeiro lugar ficou com a EMEF Deus Está Comigo, do Quilombo de São Tomé de Tauçu, que apresentou “Sementes crioulas, raízes culturais e expressões artísticas”.

A classificação mostra também a presença de conhecimentos ligados à agricultura, cultura e identidade das comunidades no espaço da feira de ciências.

Confira os projetos premiados:

  • 1º lugar: EMEF Deus Está Comigo – “Sementes crioulas, raízes culturais e expressões artísticas” – troféu e impressora multifuncional;
  • 2º lugar: EMEF Santo Ezequiel Moreno – “Casa Ribeirinha do Futuro” – troféu e TV de 43 polegadas;
  • 3º lugar: EMEF Nossa Senhora do Perpétuo Socorro – “Água barrenta: conhecer para cuidar” – troféu e impressora multifuncional;
  • 4º lugar: Cooperativa Mirim Santo Ezequiel Moreno – “Saneamento sustentável: tecnologia social na várzea, banheiro ecológico elevado para os povos das águas”.

As demais escolas, cooperativas e associações receberam troféus de participação. A Escola Esterfânia Monteiro também recebeu um kit esportivo.

UFRA fortalece parceria com as comunidades

A Universidade Federal Rural da Amazônia participou da feira por meio do PET Florestal, que contribuiu com planejamento, organização e suporte logístico e pedagógico.

O técnico Raimundo Nonato Pereira da Silva, formado em Agronomia e mestre em Agroecologia, acompanhou o grupo durante o evento na ausência da professora Marcela.

Para o PET Florestal, a participação na Feira do Rio Acutipereira já se tornou uma tradição anual. A atuação ocorre tanto diretamente nas atividades quanto no apoio à divulgação da iniciativa.

A Reitoria da UFRA também participa da organização sempre que possível. A atual reitora, professora doutora Gracialda Costa, esteve envolvida na programação, que contou com 15 alunos da universidade.

Ministério Público amplia atuação

Outro destaque foi a presença do promotor de Justiça Ronaldo Bastos, que apresentou os resultados de dois anos do projeto “MP nas Escolas”.

Segundo os dados apresentados, a iniciativa já contribuiu diretamente para o recebimento de 69 denúncias relacionadas a crimes contra a dignidade sexual de crianças e adolescentes.

A estratégia aproxima o Ministério Público das escolas, Conselho Tutelar, estudantes, profissionais da educação e comunidades.

Também foram registradas ações para melhorar a estrutura educacional, incluindo reformas e adequações em escolas, melhorias no transporte escolar fluvial e providências diante de problemas estruturais identificados nas visitas.

A atividade na comunidade Santo Ezequiel Moreno marcou a 30ª execução do projeto, ampliando a presença da Promotoria de Justiça nas comunidades escolares e incluindo na agenda a proteção do direito de crianças e adolescentes à natureza.

Segundo dia teve serviços e instituições

A programação do segundo dia foi organizada pelos movimentos sociais e incluiu palestras e serviços para moradores do PEAEX Acutipereira.

Participaram instituições parceiras como SEBRAE, INCRA, UFRA, Sustenta Inova e EMBRAPA.

A feira ainda teve uma segunda noite cultural organizada pela comunidade e pelos movimentos sociais.

Mais do que uma feira, o encontro se consolidou como espaço de diálogo entre educação, ciência, conhecimento comunitário, sustentabilidade e políticas de apoio às populações que vivem no território amazônico.

Fotos: Agência Imagens 2.0

Roberto Barbosa

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