Democracia se faz com eleições

 Democracia se faz com eleições

Por PEDRO MEDINA/R3 Comunicação

Em meio a um clima de segurança e tranquilidade, cerca de 158 milhões de brasileiros foram às urnas no primeiro turno das eleições para transmitir sinais claros sobre o desejo de mudanças. O resultado mostrou, mais uma vez, que a transferência de votos e o peso das máquinas políticas não são suficientes para garantir uma vitória eleitoral.

O Pará foi um dos exemplos mais expressivos dessa realidade. O ex-governador Helder Barbalho não conseguiu eleger sua sucessora, Hana Ghassan, que acabou derrotada ainda no primeiro turno. O resultado desmontou uma estrutura política construída ao longo de oito anos de governo, algo que, poucos meses atrás, parecia difícil de imaginar.

A eleição também produziu uma renovação importante nos quadros políticos paraenses. Nomes tradicionais da política estadual ficaram pelo caminho, enquanto as mulheres ganharam espaço e ampliaram sua presença nas bancadas do Pará na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa do Estado do Pará.

Na Câmara Federal, seis partidos conseguiram eleger representantes pelo Estado. MDB e PL aparecem com as maiores bancadas, com seis e três deputados, respectivamente. Na Assembleia Legislativa do Pará, o MDB também se destacou, elegendo 13 parlamentares, enquanto o PL conquistou sete cadeiras.

Nomes conhecidos da política paraense, como Martinho Carmona, Elcione Barbalho, Carlos Bordalo e Tonheiro, não conseguiram renovar seus mandatos ou conquistar uma cadeira na nova composição.

Airton Faleiro ganha peso dentro do PT

O desempenho do PT merece uma análise à parte. A legenda não conseguiu transformar a candidatura de Hana Ghassan ao governo em uma força eleitoral capaz de impulsionar seus candidatos proporcionais, apesar da presença de um vice do partido na chapa.

Nesse cenário, a eleição do deputado federal Airton Faleiro ganha dimensão especial. Reeleito com mais de 90 mil votos, Faleiro não apenas garantiu sua permanência na Câmara dos Deputados como saiu das urnas fortalecido politicamente dentro do PT paraense.

Sua votação o coloca entre os principais nomes do partido no Estado e amplia seu peso nas discussões políticas que deverão marcar o próximo período legislativo. Com experiência parlamentar e atuação política consolidada, Faleiro passa a ter papel ainda mais relevante na construção dos caminhos do PT no Pará.

O resultado também representa uma espécie de reorganização interna da legenda. O senador Beto Faro, que trabalhava para eleger sua esposa, Dilvanda Faro, e seu filho para a Câmara Federal, conseguiu apenas uma cadeira para o partido, justamente a de Airton Faleiro.

A reeleição expressiva do deputado demonstra que sua liderança mantém uma base eleitoral própria e consistente. Mais do que simplesmente renovar o mandato, Faleiro emerge das urnas como um dos principais representantes do PT paraense em Brasília e como um nome que deverá ter participação importante nas articulações políticas do partido no Estado.

Senado tem virada na reta final

Na disputa pelas duas vagas ao Senado Federal, a eleição também reservou uma reviravolta. A disputa, que permaneceu acirrada durante boa parte da apuração, acabou beneficiando, na reta final, o deputado Chicão, que garantiu a segunda vaga.

A primeira ficou com o ex-governador Helder Barbalho, enquanto ficaram de fora nomes considerados fortes durante a campanha, como do delegado Eder Mauro, do senador Zequinha Marinho e do deputado Celso Sabino.

O resultado confirma que a eleição para o Senado é uma das disputas mais imprevisíveis do processo eleitoral, especialmente quando há várias candidaturas competitivas e duas cadeiras em jogo.

SEGUNDO TURNO

No cenário nacional, a disputa pela Presidência da República entra em uma nova etapa. Flávio Bolsonaro já sinaliza a intenção de buscar apoio entre os candidatos que ficaram pelo caminho no primeiro turno, numa tentativa de ampliar a frente política do PL para a segunda etapa da eleição.

Do outro lado, o PT trabalha para mudar o quadro e deverá concentrar esforços na conquista de parte dos mais de 30 milhões de eleitores que não compareceram às urnas no primeiro turno.

Estados como Mato Grosso do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, que deram vantagem a Flávio Bolsonaro, apresentam índices elevados de abstenção, próximos de 23%. Atrair esse eleitorado poderá ser decisivo para a definição da eleição presidencial.

No fim das contas, é justamente essa a essência da democracia: o eleitor tem a palavra final. As urnas podem confirmar prognósticos, mas também são capazes de derrubar estruturas políticas consideradas sólidas, promover renovação, fortalecer novas lideranças e alterar completamente o cenário em poucas horas.

A eleição paraense deixou esse recado de forma clara.

Imagem: Câmara dos Deputados

Roberto Barbosa

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