Seminário em Belém discute economia circular como caminho para um futuro sustentável

 Seminário em Belém discute economia circular como caminho para um futuro sustentável

REGINALDO RAMOS/R3 Comunicação

A Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA) promoveu na manhã de quinta-feira, 18 de setembro, o seminário “Economia Circular e Indústria: construindo um futuro sustentável”, inserido na Jornada COP+ em parceria com o Instituto Rever. O evento teve como foco a criação de um sistema que prolongue o ciclo de vida dos produtos, minimizando desperdícios e resíduos. A Economia Circular busca manter os materiais em uso através da reciclagem, criando mais valor e sustentabilidade.

O Brasil se destaca na América Latina pela quantidade de lixo gerado, com aproximadamente 541 mil toneladas diárias, conforme dados da ONU. O uso de lixões é ainda comum em várias regiões, principalmente no Norte e Nordeste, enquanto o Sul e Sudeste apresentam melhores índices de saneamento e coleta seletiva.

Ricardo Pazzianotto, diretor executivo do Instituto Rever, enfatizou que a Economia Circular é uma estratégia essencial para enfrentar desafios climáticos e promover um crescimento econômico sustentável. Ele destacou a necessidade de colaboração entre governos e instituições para definir diretrizes que ajudem a solucionar problemas ambientais. Em entrevista ao Portal amazoniamais.tv.br, Pazzianotto ressaltou a importância de repensar a produção e o uso de produtos, enfatizando a reciclagem quando não for possível reaproveitá-los. “Nós estamos na Casa da Indústria do Estado do Pará. O Instituto Rever nasceu dentro da Fiesp, em São Paulo. E por isso a gente acha que discussões como essa, envolvendo a indústria, a sociedade, o setor das cooperativas e associações de catadores e catadoras, são extremamente importantes para se definir diretrizes que amenizem o problema. Um evento como esse, às vésperas da COP30, pode dar o exemplo que o Brasil precisa para trazer soluções”, afirmou Pazzianotto.

Beatriz Luz, presidente do Instituto Brasileiro de Economia Circular, comentou que a Amazônia, sede da COP30, possui uma conexão intrínseca com a circularidade, especialmente entre os povos originários que vivem em harmonia com a floresta. “Eles já são naturalmente conectados, vivendo em harmonia com a floresta, com a regeneração, onde tudo se transforma, nada se perde”, salientou Beatriz em uma entrevista descontraída ao Portal amazoniamais.tv.br.

Rodolpho Zahluth Bastos, secretário adjunto da Semas, acrescentou que a transição para a Economia Circular requer profissionais capacitados para desenvolver soluções inovadoras e práticas de reuso. “A gente precisa criar estratégias de economia circular, ou seja, aquela que não faça apenas a produção, consumo, descarte e pronto, uso único.  A gente precisa que esse uso tenha uma lógica de circularidade para que haja um reuso desse produto para uma outra finalidade ou para a mesma finalidade”, acrescentou Rodolpho Zahluth.

Alex Carvalho, presidente da FIEPA, parabenizou os participantes do evento e destacou a relevância do tema para a indústria, especialmente em um período de preparação para a COP30. Ele mencionou a possibilidade de criar novas indústrias e cadeias de negócios que transformem resíduos em oportunidades de emprego e renda.

Adriana Fonseca, catadora de recicláveis e diretora da Cooperativa Concaves, ressaltou a importância dos catadores na coleta e reciclagem de materiais, afirmando que a Economia Circular pode contribuir significativamente para o desenvolvimento social. informou ao Portal amazoniamais.tv.br que apesar de muitas vezes invisíveis e sem reconhecimento social, estima-se que entre 15 e 20 milhões de pessoas no mundo atuam informalmente como catadores de recicláveis. Segundo Adriana, são os catadores que coletam, separam e comercializam materiais como papel, vidro, metais e plásticos, evitando que toneladas de resíduos sejam destinadas a aterros, rios e oceanos. “O nosso objetivo é propor e participar de uma transição justa para a economia circular, modelo que prolonga a vida útil dos produtos, incentiva novos formatos de negócio e favorece o desenvolvimento sustentável. “Hoje eu sou catadora e vejo na economia circular uma via muito forte para contribuir no desenvolvimento social do País”, disse Adriana.

Beatriz Ornela, CEO da Combinô, plataforma de moda circular, elogiou a Fiepa por colocar em pauta um tema que merece atenção e respeito da sociedade paraense. Ela avaliou de forma positiva o evento e se posicionou favorável a criação de um sistema econômico mais sustentável e eficiente, que reduza o desperdício de recursos naturais e minimize a poluição e a degradação do meio ambiente. Na ocasião Beatriz apresentou a nossa reportagem produtos feitos de resíduos, que antes era reconhecido como lixo, e que após um processamento de reciclagem, se tornaram produtos com valor agregado comercializáveis.

Durante o seminário, representantes do setor produtivo, governo e sociedade civil assinaram a declaração de instalação de um Grupo de Trabalho Preparatório Multissetorial para a Agenda de Economia Circular do Pará. O grupo buscará consolidar o estado como referência em práticas de Economia Circular, mapeando iniciativas existentes, promovendo capacitação e orientando propostas de políticas públicas.

O seminário reuniu especialistas, autoridades e empresários, apresentando iniciativas circulares e promovendo debates sobre o panorama dos resíduos no Pará e as oportunidades para um futuro sustentável na Amazônia.

Fotos e vídeos: Reginaldo Ramos/R3 Comunicação

Roberto Barbosa

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