Com a Segurança Reforçada e Iniciativas Sustentáveis a COP30 segue na Amazônia Paraense
Por REGINALDO RAMOS/R3 Comunicação
Na noite de terça-feira, 11 de novembro, a segurança da Zona Azul, considerada território da Organização das Nações Unidas, foi intensificada após uma invasão por manifestantes, incluindo indígenas, que provocaram correria e confrontos com os agentes de segurança na entrada do evento da Conferência do Clima, COP30.
No entanto, na quarta-feira, 12 de novembro, o terceiro dia do encontro transcorreu normalmente, com um fluxo considerável de visitantes nos pavilhões. Na área externa da entrada principal da COP30, os indígenas estão aproveitando o espaço para comercializar seus produtos.

Um dos destaques do evento, na manhã do 3º dia da COP30, foi o lançamento do Pavilhão de Cidades e Regiões, um espaço dedicado à ação climática multinível e à urbanização sustentável.

Nesse contexto, o governo federal anunciou o edital de concessão da Floresta de Bom Futuro, em Rondônia, que será a primeira concessão florestal federal focada na restauração de áreas degradadas. Os concessionários terão o direito de comercializar créditos de carbono e produtos florestais madeireiros provenientes da silvicultura de espécies nativas.

Em outro painel, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o governo federal revelaram um projeto inédito de restauração florestal por meio de uma parceria público-privada (PPP) na Amazônia. Com um investimento de US$ 15 milhões, o projeto será implementado em Altamira (PA), na Área de Proteção Ambiental Triunfo do Xingu, uma das regiões mais ameaçadas pelo desmatamento ilegal. O governador do Pará, Helder Barbalho, a Ministra de Planejamento e Orçamento, Simone Tebet e o presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, participaram da aprovação do projeto.
Mercadante, em entrevista ao Portal amazoniamais.tv.br, destacou os investimentos do governo federal na recuperação de áreas degradadas, enfatizando a importância da restauração para funções ambientais essenciais, como a captura de CO₂, proteção da biodiversidade e a melhoria da qualidade do solo. Ele mencionou que, através do Fundo Amazônia, 14 projetos voltados à restauração e manejo de espécies nativas receberam R$ 1,9 bilhão em crédito, mobilizando R$ 5,7 bilhões em investimentos privados associados. Além disso, o BNDES investiu R$ 1,5 bilhão em saneamento básico na cidade de Belém para sediar a COP30.
A Ministra de Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, também enfatizou a nossa reportagem a importância da garantia do BID de US$ 1 bilhão para a restauração florestal na Amazônia, ressaltando que isso melhora as condições de acesso ao crédito e catalisa a participação do setor privado em projetos ambientais.

No setor industrial, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) anunciou uma parceria com o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) para viabilizar o Programa Prioritário de Interesse Nacional em Bioinformática (PPI BioinfoBR). O objetivo é fortalecer a bioeconomia e promover inovação sustentável em diversos setores. Na ocasião o presidente da Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), Alex Carvalho representou à CNI e destacou o impacto positivo do projeto para alavancar novos eixos de desenvolvimento e pesquisa aplicada, além de descentralizar os ecossistemas de inovação, hoje muito concentrados no Sul e Sudeste.
A Ministra do MCTI, Luciana Santos, destacou que a ciência e tecnologia são cruciais para enfrentar as mudanças climáticas e que a transição energética deve ocorrer sem desmatamento na Amazônia. Essas iniciativas refletem um compromisso conjunto em promover a sustentabilidade e a preservação ambiental, abordando os desafios históricos enfrentados na Amazônia.

Para esta quinta-feira, 13 de novembro, a COP30 em Belém, será marcada por agendas intensas, com destaque para o Dia da Saúde e o Dia da Cultura, além de discussões cruciais sobre financiamento climático e metas de adaptação.
Principais Ações e Agendas do Dia:
Dia da Saúde: O Brasil, com apoio de outros países, lançará um plano de ação com estratégias voltadas para a saúde global no contexto das mudanças climáticas.
Dia da Cultura: Salas temáticas na Zona Azul e eventos no Pavilhão Iberoamérica Viva (Green Zone) discutem “Cultura Viva, Floresta Viva: O Papel da Economia Criativa e as Cadeias da Sociobiodiversidade Local”, com a presença da ministra da Cultura, Margareth Menezes.
Negociações Oficiais: As discussões oficiais da Conferência continuam, com a presidência da COP buscando avanços nas metas de adaptação, que ainda enfrentam entraves.
Eventos Estaduais: O governador do Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, participa do painel “MS na Agrizone” (espaço da Embrapa), defendendo ações de governo conectadas para o desenvolvimento sustentável.
Sociedade Civil e ONGs: A Transparência Internacional promove eventos sobre a importância do Acordo de Escazú, combate a crimes ambientais e corrupção na agenda climática.
Atividades Culturais: A programação cultural segue intensa, com destaque para a continuidade do Festival de Ópera no Theatro da Paz e apresentações de artistas na programação cultural oficial.
Espaços de Debate Paralelos: Inúmeros painéis e atividades autogestionadas ocorrem nos diversos pavilhões (como os Pavilhões Brasil e a Green Zone), abordando temas como biodiversidade, programas estaduais de mudança climática e saberes tradicionais de populações amazônicas.
A programação diária geral da COP30 começa a partir das 8h e segue até por volta da meia-noite, com visitação gratuita em alguns espaços como a Vila COP 30 e o Parque Urbano Belém Porto Futuro I.
Vídeos e fotos: R3 Comunicação
