Novo diretor regional Norte da ANM concede entrevista exclusiva ao portal Amazônia Mais TV
Por PEDRO MEDINA/R3 Comunicação
A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Mineração (ANM) aprovou, por unanimidade, em Circuito Deliberativo nº 53, a designação do diretor José Fernando de Mendonça Gomes Júnior como supervisor da Diretiva Regional Norte, que abrange as Gerências Regionais nos estados do Pará, Amazonas, Roraima e Amapá. A decisão foi registrada na Decisão em Circuito Deliberativo nº 53/2025 (18276824), em conformidade com o Artigo 90 do Regimento Interno da ANM (Resolução nº 211, de 9 de julho de 2025) e com a Deliberação nº 68, de 14 de março de 2024 (11997084).
A supervisão da Diretiva Regional Norte tem papel estratégico no fortalecimento da presença institucional da Agência na Amazônia, região marcada por grandes desafios de fiscalização, regularização e fomento à mineração responsável.
Para o diretor José Fernando, a nova designação representa uma oportunidade de fortalecer a presença da ANM na região e de evidenciar sua relevância estratégica para o país e o mundo. “Nossa prioridade será mostrar que é possível fazer mineração com respeito ao meio ambiente, às comunidades locais e à sustentabilidade. Vamos atuar firmemente, em conjunto com o time da ANM, no combate à mineração ilegal”, destacou o diretor.
José Fernando também ressaltou a importância de estreitar o diálogo com as unidades regionais. “No início do ano, estarei presente em todos os estados do Norte, levantando as principais demandas e interagindo com nossos colaboradores”, afirmou.
Com a nova composição, a Direção reafirma o compromisso da ANM com a continuidade administrativa, a eficiência regional e a integração das ações entre as unidades da Agência em todo o país.
José Fernando concedeu entrevista exclusiva à reportagem do portal Amazônia Mais TV. Confira:
1. Diretor, qual é a principal mensagem que a ANM pretende levar à COP 30 sobre o papel da mineração brasileira na agenda climática?
A mensagem que levaremos à COP 30 é clara: a mineração brasileira é parte fundamental da solução climática global. Vivemos um novo paradigma, em que minerais estratégicos como lítio, nióbio, cobre e terras raras são alicerces da transição energética, da mobilidade elétrica e da descarbonização industrial.
O Brasil, como potência mineral e ambiental, tem o dever e a oportunidade de mostrar ao mundo que é possível fazer uma mineração rastreável, transparente, socialmente responsável e ambientalmente segura. A ANM está comprometida em garantir que os projetos minerários no país estejam alinhados com os princípios do desenvolvimento sustentável, com governança robusta e aderência a critérios ESG.
A COP 30 será, portanto, um palco para reafirmar nosso papel como líder em mineração verde e estratégica, e para dialogar com o mundo sobre os compromissos que assumimos rumo a um futuro climático mais justo e seguro.
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2. Como o Brasil se posiciona no cenário global dos minerais críticos e da transição energética, e de que forma essa visão se reflete nas ações da instituição?
O Brasil está se consolidando como um ator-chave na oferta de minerais críticos para a transição energética global. Temos reservas expressivas de lítio, grafite, manganês, cobre, nióbio e terras raras — insumos indispensáveis para baterias, painéis solares, turbinas eólicas e chips.
A Agência Nacional de Mineração tem atuado para ampliar a segurança jurídica, acelerar a análise de processos e estruturar um ambiente regulatório que valorize esses minerais de forma sustentável. Internamente, temos priorizado medidas de modernização tecnológica, fortalecimento do SIGMINE e incentivo à pesquisa mineral qualificada.
Além disso, a ANM participa ativamente da Política Pró-Minerais Estratégicos, coordenada pelo Ministério de Minas e Energia, buscando atrair investimentos de longo prazo e articular com instituições de ciência e tecnologia o aproveitamento inteligente de nossos recursos.
Nosso compromisso é garantir que o Brasil não apenas exporte matéria-prima, mas também agregue valor à sua produção, com rastreabilidade, compliance internacional e inserção ativa nas cadeias globais de valor verde.
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3. O Pará, sede da COP 30 e o segundo principal polo mineral do país, é também um laboratório de desafios e oportunidades. Que lições regionais o senhor pretende destacar durante o evento?
O Pará é, de fato, um território simbólico e estratégico. Produz cerca de 90% do cobre brasileiro, lidera em manganês e níquel, e abriga projetos de lítio e terras raras em estágio avançado. Ao mesmo tempo, o estado convive com desafios históricos: desigualdades sociais profundas, impactos ambientais acumulados, disputas territoriais e pressões sobre comunidades tradicionais, mais tem avançado muito, graças o comprometimento do governador Helder e da nossa vice governadora Hana com apoio do presidente Lula.
A lição que pretendo destacar é que a riqueza mineral só se transforma em desenvolvimento quando há articulação federativa, responsabilidade social e boa governança pública e privada. Tive a honra de servir como Secretário de Desenvolvimento Econômico do Pará e sei o quanto é urgente garantir que a CFEM seja bem aplicada, que as comunidades participem das decisões e que o licenciamento seja ágil, mas rigoroso.
O Pará também nos mostra o valor da infraestrutura integrada, da formação de mão de obra local, e da articulação entre mineração, bioeconomia e transição energética. Essa experiência regional pode e deve inspirar modelos replicáveis em outras partes do Brasil — e é isso que queremos mostrar ao mundo durante a COP.
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4. Que tipo de cooperação internacional o senhor considera essencial para que o Brasil fortaleça a rastreabilidade, a governança e o valor agregado de sua produção mineral?
Vejo três frentes prioritárias para cooperação internacional:
1. Tecnologia e rastreabilidade: Precisamos firmar parcerias com países e blocos que já adotam mecanismos de certificação de origem e rastreabilidade mineral, como a União Europeia. Isso permitirá que nossos minerais estratégicos atendam a padrões globais e ampliem sua inserção em mercados de alto valor agregado.
2. Financiamento verde e inovação: A cooperação com bancos multilaterais e agências de fomento internacional pode acelerar a transição para uma mineração de baixo carbono, com foco em eficiência energética, reaproveitamento de rejeitos e recuperação de áreas degradadas.
3. Integração produtiva e comercial: É essencial que o Brasil entre nas cadeias globais de valor com protagonismo — e isso exige acordos bilaterais ou multilaterais que envolvam não apenas extração, mas também beneficiamento e industrialização local.
A ANM pode contribuir oferecendo um ambiente regulatório moderno, transparente e confiável, que seja capaz de atrair investimentos responsáveis e consolidar o Brasil como fornecedor ético de minerais para o futuro verde do planeta.
Foto: Reprodução