AgriZone Destaca Sustentabilidade Inovação Tecnológica Agricultura de baixo carbono e Segurança Alimentar na COP30
REGINALDO RAMOS / R3 Comunicação
Edição de Vídeo: Brenda Ramos
A AgriZone, um espaço inovador dedicado à agricultura sustentável, é uma iniciativa promovida pela Embrapa e pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). Durante a COP30, este espaço tem reunido instituições públicas, pesquisadores e representantes do setor produtivo em uma série de agendas paralelas. O objetivo central é fomentar ações e debates que busquem soluções que harmonizem a produção agrícola, a conservação ambiental e a segurança alimentar na Amazônia, no Brasil e em todo o planeta.

Até o dia 21 de novembro, a AgriZone terá cerca de 400 atividades programadas, espalhadas por cinco auditórios. Estas atividades incluem painéis temáticos, vitrines vivas e virtuais de soluções sustentáveis, experiências gastronômicas, programações culturais e imersões na floresta amazônica. Ao longo da COP30, mais de 70 tecnologias voltadas à agricultura tropical de baixo carbono serão apresentadas, sublinhando o papel essencial do setor na luta contra a fome e nas estratégias de mitigação das mudanças climáticas.

O Ministro do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA), Paulo Teixeira, foi uma das muitas personalidades a participar das atividades na AgriZone. Na última quinta-feira, 13 de novembro, ele esteve presente na “Casa da Agricultura Sustentável”, na Embrapa, onde anunciou uma nova fase do programa que permite ao governo adquirir alimentos de agricultores familiares e microempreendedores individuais (MEI). Teixeira enfatizou a importância da reforma agrária e da recuperação de áreas degradadas com florestas, considerando essas ações vitais para o desenvolvimento sustentável e o enfrentamento das mudanças climáticas.
Em entrevista ao Portal Amazôniamais.tv.br, o ministro destacou a relação entre alimentação e soluções climáticas, ressaltando a necessidade de políticas e práticas que transformem os sistemas alimentares na Amazônia e no mundo. “O mundo abriga três grandes florestas, incluindo a Amazônia, a Indonésia e a do Congo. É imprescindível que haja um pagamento pela preservação dessas florestas e que se ajude no desenvolvimento das comunidades que delas dependem. Na Amazônia, encontramos uma das maiores biodiversidades do planeta, que possibilita o desenvolvimento de indústrias farmacêuticas, cosméticos, químicas e alimentícias. O programa Florestas Produtivas, que promove a recuperação de áreas degradadas, é fundamental. A lógica que queremos mudar é que a árvore em pé vale mais do que a sua supressão e o desmatamento”, afirmou Teixeira.

Na AgriZone, os visitantes puderam explorar tecnologias que integram o plantio de espécies nativas à recuperação de áreas degradadas, demonstrando como o conhecimento científico se torna um aliado essencial da sustentabilidade.
A engenheira agrônoma Roberta Carnevalli, pesquisadora da Embrapa, compartilhou com o Portal Amazôniamais.tv.br a visão da Embrapa em busca de soluções que unam produção agrícola, inovação tecnológica e preservação ambiental. “Estamos aqui na Embrapa, na AgriZone, apresentando a Vitrine dos Programas de Certificação Soja Baixo Carbono. A Embrapa tem em seu DNA o desenvolvimento de práticas sustentáveis. Toda tecnologia e pesquisa que desenvolvemos em relação à agricultura e pecuária é fundamentada em práticas sustentáveis. O produtor brasileiro já incorpora, em sua prática, a adoção sustentável, o que resulta em baixas emissões de gás de efeito estufa”, explicou Roberta.
Lennon Medeiros, cientista social do Rio de Janeiro, também participou da COP30 com o intuito de visitar a Embrapa Amazônia Oriental. Ele participou de atividades de campo na AgriZone e, em uma entrevista exclusiva ao Portal Amazôniamais.tv.br, destacou a AgriZone como uma vitrine do que há de mais avançado em sustentabilidade no campo. Lennon expressou sua emoção ao conhecer tecnologias que ligam o plantio de espécies nativas à recuperação de áreas degradadas, ressaltando a importância do conhecimento científico na promoção da sustentabilidade.
O Secretário de Agricultura Familiar do Pará, Cássio Pereira, considerou a COP30 uma oportunidade única para o Fórum Internacional de Agricultura Familiar e Comunidades Tradicionais abordar pautas e segmentos sociais relevantes para a transição climática. Ele afirmou que a AgriZone, na Embrapa, serve como um espaço dedicado a debates e exposições sobre agricultura sustentável e inovação tecnológica, sendo uma das principais iniciativas da Embrapa durante a conferência climática da ONU. “Neste encontro, tivemos quase 300 participantes, o que dobrou nossa expectativa, mas isso foi positivo para discutir pautas importantes para a Amazônia”, finalizou Cássio Pereira.
O deputado federal Airton Faleiro também visitou a AgriZone e destacou a relevância da Embrapa no desenvolvimento da agricultura nacional, na segurança alimentar e no enfrentamento das mudanças climáticas. Ele reforçou a necessidade de integração entre ciência, políticas públicas e o setor produtivo, elogiando o engajamento da Embrapa com a agricultura familiar e as populações tradicionais para melhorar a produção de alimentos na Amazônia.
Geraldo Costa, Agente de Atividade Agropecuária, destacou o comprometimento da Embrapa no desenvolvimento de sistemas agroflorestais sustentáveis como alternativa para a fruticultura na Amazônia. Ele evidenciou que essas iniciativas demonstram a viabilidade de aumentar a produtividade agrícola enquanto se conserva o solo, a água e a biodiversidade. “O exemplo da cultura do cacau na agricultura familiar conservacionista mostra que é possível obter um fruto de alto valor nutritivo e financeiro, que traz um bom retorno para o produtor”, afirmou Geraldo.
Os empresários da apicultura, Ruberci e Carmélia Pinon, vieram de Breu Branco, no sudeste do Pará, para expor seus produtos na AgriZone. Ambos destacaram a importância do espaço expositivo montado na Embrapa, que reforça a relevância da ciência brasileira na busca por um equilíbrio entre produção e preservação. De acordo com eles, a apicultura tem um impacto ambiental e econômico significativo, promovendo a preservação da biodiversidade, a polinização de culturas agrícolas e a geração de renda em pequenas propriedades rurais.
Ao portal amazoniamais.tv.br, o casal compartilhou a dedicação com a apicultura no sudeste do Para. “Trabalhamos com abelhas Apis e nativas da Amazônia, e temos um projeto de educação ambiental nas escolas da região. Em 2024, treinamos 24 alunos e, em 2025, planejamos treinar 70, incluindo alunos de Ensino Médio e do IFPA de Tucuruí. Estamos apresentando nosso mel monoflorado de açaí e nossa linha de cosméticos, todos feitos com mel, própolis, manteigas e óleos da floresta amazônica”, concluíram Carmélia e Ruberci Pinon.