Amazon Energy 2026: O Futuro da Amazônia em Debate
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Por Reginaldo Ramos / R3 Comunicação
A Amazônia se coloca como protagonista na agenda nacional ao trazer à tona o debate sobre energia, indústria e desenvolvimento econômico por meio do “Amazon Energy 2026”. Este fórum iniciou nesta terça-feira, 30/06, e encerra quarta-feira, 01/07, na sede da FIEPA, em Belém, reunindo empresários, autoridades, especialistas e investidores com o objetivo de traçar rotas estratégicas para a região.

Com um enfoque especial na Margem Equatorial, o evento se dedicará, ao longo de dois dias, à transição energética, à inovação, à competitividade industrial e ao fortalecimento da cadeia produtiva local. A meta é transformar o potencial da Amazônia em oportunidades de negócio, posicionando a região como um modelo de desenvolvimento energético sustentável.
Destaques da Programação:
- Petróleo e Gás: Análise do cenário no Brasil, Guiana e Suriname, além dos aprendizados obtidos na campanha exploratória na Bacia da Foz do Amazonas.
- Oportunidades para MPEs: Como micro e pequenas empresas podem se inserir na cadeia de óleo e gás, oferecendo fornecimento, serviços e tecnologia.
- Minerais Estratégicos: O papel crucial de insumos críticos na descarbonização e na transição energética global.
- Políticas Públicas: Iniciativas de inovação voltadas aos estados da Margem Equatorial.
- Integração e Descarbonização: A interligação entre tecnologia, eficiência energética e desenvolvimento regional.
Conforme Alex Carvalho, presidente da FIEPA e anfitrião do evento, o “Amazon Energy 2026” vai além do simples mapeamento de reservas; trata-se da proposta e fomento de uma agenda prática que possibilite a geração de negócios, o fortalecimento da indústria amazônica e a criação de empregos qualificados. Alex enfatiza que o evento é um ponto de encontro essencial entre formuladores de políticas públicas, investidores e produtores da base da cadeia.
Rafael Barbosa, gerente comercial da Atem, empresa de distribuição de combustíveis na Amazônia, em uma entrevista exclusiva ao Portal amazoniamais.tv.br, ressaltou a Amazônia como um pilar estrutural e um grande paradoxo na transição energética do Brasil. Ele destacou que, apesar de contribuir com mais de 25% da geração nacional através de grandes hidrelétricas, o bioma enfrenta o desafio de universalizar o acesso limpo a milhares de comunidades em áreas isoladas, que ainda dependem fortemente de combustíveis fósseis. Barbosa afirmou que a Atem se alinha ao desenvolvimento sustentável da Amazônia, utilizando sua liderança logística e industrial para ancorar a transição energética em uma das regiões mais complexas do mundo. “A atuação da companhia busca equilibrar a segurança no abastecimento de áreas isoladas com a introdução gradual de matrizes energéticas limpas. O futuro da energia na região está na descentralização e na exploração de matrizes limpas, sempre atentas à realidade amazônica”, concluiu Rafael Barbosa.
A New Fortress Energy participa do “Amazon Energy 2026”, representada por Paul Steffens, seu diretor de Relações Institucionais e Governamentais. Ele mencionou que a transição energética na Amazônia precisa ser amplamente discutida para garantir seu sucesso. Steffens elogiou a iniciativa da FIEPA em promover o evento e destacou que a New Fortress Energy (NFE) atua no Pará como um vetor de infraestrutura energética, focando no município de Barcarena. A relevância da companhia está na substituição de combustíveis fósseis poluentes por gás natural e no fornecimento de segurança ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Rubens Magno, superintendente do Sebrae Pará, também esteve presente no “Amazon Energy 2026” e, em entrevista à nossa reportagem, enfatizou o compromisso do Sebrae com a viabilização da transição energética na Amazônia, destacando suas iniciativas e parcerias que visam fortalecer tanto o empreendedorismo quanto a sustentabilidade.
Cassia Damiani, Coordenadora-Geral de Articulação e Fomento do Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), explicou que a principal dificuldade da Amazônia na viabilização da transição energética reside nos desafios logísticos e na dispersão geográfica, que encarecem a infraestrutura e isolam comunidades em uma vasta área de mais de 5 milhões de km². Segundo ela, conciliar a preservação da floresta com a demanda por novas linhas de transmissão e fontes de energia limpas exige um modelo de governança complexo e de elevado custo. Por isso, é essencial o alinhamento entre governos, empresas e a sociedade para construir um caminho único que permita uma transição energética segura e responsável, tanto ambiental quanto socialmente.

Durante a programação, serão abordados temas diretamente relacionados ao ambiente de negócios do estado, incluindo perspectivas de investimento em petróleo e gás no Pará, expansão da infraestrutura energética, novos empreendimentos e a integração entre cadeias industriais. Ao final do evento, as lideranças dos estados da Margem Equatorial discutirão mecanismos de cooperação regional e apresentarão a Carta de Belém II, um documento que visa consolidar diretrizes e convergências para o avanço da agenda energética na região.