Círio de Nazaré faz de Belém o grande altar da Amazônia e projeta a fé para o mundo
PROCISSÃO DESTE DOMINGO REÚNE MILHÕES DE DEVOTOS E REAFIRMA A FORÇA DA TRADIÇÃO, DA CULTURA, DO TURISMO RELIGIOSO E DA ECONOMIA PARAENSE.
Por ROBERTO BARBOSA/R3 Comunicação
O Pará vive neste domingo, 11 de outubro, um dos momentos mais importantes de sua história religiosa e cultural. O Círio de Nazaré transforma as ruas de Belém em um imenso espaço de oração, emoção e confraternização, reunindo devotos de diferentes regiões do Brasil e de outros países em homenagem a Nossa Senhora de Nazaré.
A programação começa às 6h, com a Santa Missa na Catedral Metropolitana de Belém, presidida pelo arcebispo metropolitano, Dom Júlio Endi Akamine, e concelebrada por bispos convidados e integrantes do clero. Às 7h, a Imagem Peregrina deixa a Catedral para percorrer aproximadamente 3,6 quilômetros até a Basílica Santuário de Nazaré.

A expectativa divulgada pela Diretoria da Festa de Nazaré é de aproximadamente 2,3 milhões de participantes na grande procissão. Mais do que uma multidão, o Círio representa o encontro de histórias pessoais, promessas, agradecimentos e esperanças que se renovam a cada outubro.

Uma sequência de romarias prepara o grande encontro
A programação oficial começou na quarta-feira, 7 de outubro, com o Traslado dos Carros. Na sexta-feira, 9, ocorreu o Traslado para Ananindeua e Marituba, aproximando a Imagem Peregrina das comunidades da Região Metropolitana de Belém.
O sábado, 10, foi marcado por três importantes manifestações de fé: a Romaria Rodoviária, a Romaria Fluvial e a Moto Romaria. Pelas estradas, pelas águas da Baía do Guajará e pelas ruas da capital, os devotos acompanharam a passagem da imagem em demonstrações de carinho e devoção.

Na noite de sábado, a Trasladação conduziu a Imagem Peregrina do Colégio Gentil Bittencourt à Catedral Metropolitana. O cortejo noturno, marcado pelas homenagens e pela participação popular, antecedeu a procissão principal deste domingo.
Cada modalidade de romaria tem suas particularidades, mas todas expressam o mesmo sentimento de fé. Há promesseiros que caminham descalços, famílias que acompanham juntas a berlinda e pessoas que aguardam a passagem da imagem para agradecer por graças alcançadas.

Patrimônio religioso e identidade amazônica
O Círio ultrapassa os limites de uma celebração estritamente religiosa. Sua história, seus símbolos e suas manifestações populares integram a identidade do Pará e ajudam a explicar a relação dos paraenses com a fé, a família e a comunidade.
A corda, a berlinda, os carros dos milagres, as homenagens nas ruas, a música e a culinária regional compõem um conjunto de tradições transmitidas entre gerações. A festividade também movimenta artistas, artesãos, produtores culturais e trabalhadores que encontram no período uma oportunidade de divulgar seus talentos.

O reconhecimento do Círio como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Unesco ampliou sua projeção internacional. A celebração passou a representar, de maneira ainda mais expressiva, a riqueza das tradições amazônicas e a capacidade de uma comunidade preservar sua memória cultural.

Turismo religioso e economia em movimento
A chegada de visitantes movimenta hotéis, restaurantes, transportes, comércio, serviços turísticos e vendedores autônomos. O aumento da procura por produtos regionais, refeições típicas, artesanato e passeios contribui para a circulação de renda em Belém e em outros municípios paraenses.
O turismo religioso também cria oportunidades para apresentar aos visitantes o patrimônio histórico da capital, os mercados tradicionais, a gastronomia amazônica e as manifestações culturais que fazem parte da vida paraense.

O desafio é transformar essa movimentação em benefícios duradouros. Investimentos em mobilidade, acessibilidade, limpeza urbana, segurança, infraestrutura turística e qualificação profissional ajudam a melhorar a experiência dos visitantes e as condições de vida dos moradores.
O Círio demonstra, assim, que fé, cultura e economia podem caminhar juntas. A festa fortalece pequenos negócios, gera oportunidades de trabalho e projeta a imagem do Pará para além das fronteiras regionais.

A quinzena nazarena continua
Depois da procissão principal, a programação seguirá com outras romarias e celebrações. No sábado, 17 de outubro, serão realizadas a Ciclo-Romaria e a Romaria da Juventude. No domingo, 18, ocorrerá a Romaria das Crianças.
No sábado, 24, os devotos participarão da Romaria dos Corredores, da Romaria da Acessibilidade e da Procissão da Festa. O ciclo principal será encerrado na segunda-feira, 26 de outubro, com o Recírio.
Durante esse período, missas, atividades religiosas e apresentações culturais continuarão reunindo fiéis na Basílica Santuário e na Praça Santuário de Nazaré.

Uma mensagem que atravessa fronteiras
Para o Pará, o Círio é uma expressão profunda de pertencimento. Para o Brasil, representa a diversidade das manifestações religiosas e culturais do país. Para o mundo, oferece uma janela para a Amazônia e para a força de uma tradição que reúne milhões de pessoas em torno da fé.
Neste domingo, cada vela acesa, cada oração e cada passo dado pelos romeiros contam uma história de esperança. A dimensão da procissão impressiona, mas sua essência está nos sentimentos individuais que se transformam em experiência coletiva.

O Círio de Nazaré é, ao mesmo tempo, manifestação religiosa, patrimônio cultural, encontro de famílias e oportunidade de desenvolvimento. Uma tradição genuinamente paraense que continua renovando sua importância para a Amazônia e conquistando o reconhecimento de pessoas de diferentes partes do planeta.

Fotos: Fundação Nazaré de Comunicação