Marabá recebe o 21º APIPARÁ durante a EXPOAMA e coloca a cadeia do mel no centro do debate amazônico
CONGRESSO PARAENSE DE APICULTURA E MELIPONICULTURA COMEÇA NESTA QUINTA-FEIRA (17) E REÚNE PRODUTORES, PESQUISADORES, TÉCNICOS, ESTUDANTES E EMPREENDEDORES PARA DISCUTIR PRODUÇÃO, MERCADO, INOVAÇÃO E CONSERVAÇÃO AMBIENTAL
Por REGINALDO RAMOS e ROBERTO BARBOSA/R3 Comunicação
A cidade de Marabá, no sudeste do Pará, a 562 quilômetros de Belém, transforma-se a partir desta quinta-feira (17) em um dos principais pontos de encontro da apicultura e da meliponicultura na Amazônia. Durante três dias, até sábado (19), o município sediará a 21ª edição do Congresso Paraense de Apicultura e Meliponicultura (APIPARÁ), evento que integra a programação da XXXVIII Exposição Agropecuária de Marabá (EXPOAMA).

Com o tema “Fortalecendo a Apicultura e Meliponicultura da Amazônia”, o congresso reunirá produtores, pesquisadores, técnicos, estudantes, empreendedores e representantes de diferentes segmentos ligados à cadeia produtiva das abelhas.
A programação será distribuída entre o Centro Universitário Anhanguera de Marabá, o Parque de Exposição José Francisco Diamantino e o IFPA Campus Rural de Marabá. A organização confirma três dias de palestras, debates, apresentações técnicas, intercâmbio de experiências e atividades voltadas ao fortalecimento do setor.
Mais do que discutir a produção de mel, o APIPARÁ chega a Marabá em um momento em que a atividade ganha espaço nas discussões sobre agricultura familiar, geração de renda, diversificação da produção rural, biodiversidade e conservação dos recursos naturais.

Uma cadeia que vai muito além do mel
A apicultura e a meliponicultura têm diferenças importantes.
A apicultura trabalha principalmente com a criação da Apis mellifera, espécie de abelha com ferrão amplamente utilizada na produção comercial de mel. Já a meliponicultura envolve a criação racional de abelhas nativas sem ferrão, grupo que reúne diversas espécies encontradas nos ecossistemas brasileiros e que desempenha papel fundamental na polinização.
Na prática, as duas atividades podem representar alternativas de geração de renda para produtores rurais, agricultores familiares e empreendedores.
O mel é apenas um dos produtos possíveis. A cadeia também envolve derivados e produtos da colmeia, além de serviços ambientais relacionados à polinização.
Na Amazônia, essa característica ganha ainda mais importância. A produção pode ser desenvolvida sem que a floresta precise ser retirada para dar lugar ao empreendimento. Ao contrário: a manutenção de áreas com vegetação e diversidade floral é importante para garantir alimento, abrigo e condições de reprodução para as próprias abelhas.
É justamente essa relação entre produção, renda, biodiversidade e conservação que está entre os grandes temas que chegam ao centro das discussões do APIPARÁ.
Palestrantes levam experiências de diferentes áreas
Um dos principais atrativos da 21ª edição será a presença de especialistas e profissionais com experiências em diferentes segmentos relacionados às abelhas, à produção, ao mercado e à organização da atividade.
Entre os nomes anunciados estão Daniel Malusá Gonçalves, Sérgio Farias, Artur C. Medeiros, Alexssandra Muniz Mardegan, Alessandra Barbosa Prando, Patric Arend Lüderitz e John Emerson.
A diversidade dos convidados acompanha a própria proposta do congresso: aproximar conhecimento técnico, experiência de campo, produção, empreendedorismo e discussão sobre os caminhos que a atividade pode seguir no Pará e na Amazônia.

DANIEL MALUSÁ GONÇALVES
Com atuação ligada à comunicação, inovação e à defesa das abelhas, Daniel Malusá Gonçalves possui trajetória relacionada ao movimento de conscientização sobre a importância desses insetos.
Ele participou, por exemplo, do desenvolvimento do BeeAlert, plataforma criada para registrar ocorrências relacionadas à perda e ao envenenamento de abelhas, iniciativa que busca gerar informações capazes de ajudar produtores e pesquisadores a compreender a dimensão do problema.
Daniel também aparece em trabalhos científicos relacionados às perdas de colônias de abelhas manejadas e abelhas sem ferrão na América Latina.
Sua participação acrescenta ao congresso uma perspectiva que ultrapassa o interior das colmeias: a necessidade de produzir informação, ampliar a conscientização e aproximar a sociedade das discussões sobre a sobrevivência das abelhas.

SÉRGIO FARIAS
Outro nome de destaque é Sérgio Farias, que atua na representação nacional do setor e preside a Câmara Setorial da Cadeia Produtiva de Mel e Produtos Apícolas.
A presença de Farias coloca em discussão temas que envolvem organização da cadeia, mercado, produção, regulamentação e expansão do consumo de mel.
Em reuniões recentes da Câmara Setorial, ele participou de discussões sobre mercado interno, comércio internacional, certificação, defesa sanitária e outros assuntos estratégicos para a atividade apícola brasileira.

ALXESSANDRA BARBOSA PRANDO
A empresária e palestrante Alessandra Barbosa Prando, conhecida pela atuação com produtos derivados das abelhas e pela valorização do mel na gastronomia, também integra o grupo de convidados.
Com mais de duas décadas de experiência no setor, ela participou de missão empresarial durante a Apimondia 2025, em Copenhague, na Dinamarca, levando a experiência brasileira para um dos principais encontros mundiais da apicultura.
Alessandra também atua como professora, escritora e palestrante, é instrutora do Senar-SP e autora de material relacionado ao uso do mel na gastronomia.
Sua participação ajuda a ampliar uma discussão importante: como transformar o mel e os demais produtos da colmeia em produtos com maior valor agregado.

PATRIC AREND LÜDERITZ
O gaúcho Patric Arend Lüderitz também está entre os convidados da programação.
Sua trajetória inclui participação em eventos técnicos da cadeia produtiva, inclusive em discussões sobre organização, produção, comercialização e legislação relacionadas às abelhas e seus produtos.
Em programação técnica realizada no Paraná, Lüderitz atuou como moderador de debate sobre esses temas, reunindo produtores e especialistas de diferentes regiões do país.
A experiência ajuda a trazer para Marabá uma visão mais ampla sobre os desafios enfrentados pelos produtores brasileiros.
OS TRÊS DIAS DO APIPARÁ
A programação do congresso será desenvolvida de 17 a 19 de setembro, paralelamente à EXPOAMA.
Quinta-feira, 17 — abertura
O primeiro dia marca a abertura oficial do 21º APIPARÁ, com a chegada dos participantes e o início das atividades técnicas.
A quinta-feira será dedicada à apresentação do congresso, integração entre produtores e convidados e início das palestras e debates relacionados à apicultura e à meliponicultura.
A abertura também coloca a cadeia das abelhas dentro de uma das maiores vitrines do setor agropecuário do sudeste paraense: a EXPOAMA.
Sexta-feira, 18 — conhecimento, capacitação e troca de experiências
Na sexta-feira, o congresso entra em uma etapa mais concentrada nas palestras, apresentações técnicas e debates.
Produção, manejo, desenvolvimento da cadeia, organização dos produtores, mercado e sustentabilidade estarão entre os grandes eixos que norteiam a programação.
É também o momento em que a presença de especialistas de diferentes regiões permite aos participantes conhecer experiências que podem ser adaptadas à realidade amazônica.
Sábado, 19 — encerramento e valorização do mel paraense
O último dia será marcado pela continuidade das atividades técnicas, integração entre os participantes e ações voltadas à valorização da produção.
Um dos destaques é o Concurso de Mel da FAPIC, que pretende colocar em evidência a qualidade e a diversidade da produção paraense.
A competição terá categorias destinadas ao mel de abelhas sem ferrão e ao mel produzido pela Apis mellifera.
Além do caráter competitivo, o concurso funciona como vitrine para os produtores e como instrumento de valorização de uma cadeia que ainda possui grande potencial de crescimento no Estado.

Concurso coloca qualidade do produto em evidência
O Concurso de Mel da FAPIC é uma das iniciativas que ajudam a aproximar produção e mercado.
Ao reconhecer diferentes características dos produtos, a iniciativa contribui para mostrar ao consumidor que o mel produzido no Pará não é um produto único e homogêneo.
Existem diferentes espécies de abelhas, diferentes floradas, métodos de produção e características sensoriais que podem resultar em produtos distintos.
No caso das abelhas nativas sem ferrão, essa diversidade é ainda mais evidente, já que cada espécie pode produzir um mel com características próprias.
A valorização dessa diversidade pode ajudar a abrir novos espaços comerciais e estimular os produtores a investir em qualidade, manejo, apresentação e agregação de valor.
Marabá como ponto de encontro do setor
A escolha de Marabá para sediar a 21ª edição do APIPARÁ também tem peso estratégico.
O município é um dos principais centros econômicos do sudeste paraense e possui forte ligação com o setor rural. Ao receber o congresso durante a EXPOAMA, a cidade aproxima dois universos que, embora diferentes, fazem parte de uma mesma realidade produtiva.
De um lado, estão os grandes e tradicionais segmentos da agropecuária. De outro, uma atividade que pode ser desenvolvida em propriedades de diferentes tamanhos e que oferece possibilidades de diversificação da renda rural.
A integração com a EXPOAMA amplia o potencial de público do congresso e cria oportunidades para que a apicultura e a meliponicultura sejam conhecidas por produtores de outras áreas.
A própria organização do evento destaca que a programação pretende estimular a troca de conhecimentos, inovação, networking e desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva do mel e das abelhas nativas.

Abelhas e agricultura: uma relação estratégica
A discussão sobre abelhas também passa diretamente pela agricultura.
A polinização realizada por esses insetos é essencial para diversas espécies vegetais. Por isso, preservar as populações de abelhas não representa apenas uma preocupação ambiental, mas também uma questão relacionada à própria produção de alimentos.
É nesse ponto que a apicultura e a meliponicultura ganham uma dimensão estratégica.
O produtor pode obter renda com a criação das abelhas, enquanto as colônias contribuem para a polinização das plantas existentes no ambiente.
Ao mesmo tempo, a atividade depende de condições ambientais adequadas. Sem flores, água, abrigo e biodiversidade, a capacidade produtiva das colônias fica comprometida.
A conservação, portanto, deixa de ser apenas um discurso externo à atividade e passa a fazer parte de sua própria sustentabilidade econômica.
Um congresso para discutir o futuro
Ao chegar à 21ª edição, o APIPARÁ demonstra que a apicultura e a meliponicultura já ocupam um espaço próprio dentro do debate agropecuário paraense.
O desafio agora é transformar conhecimento em produção, produção em renda e renda em desenvolvimento.
Para isso, os produtores precisam de assistência técnica, organização, acesso a mercados, melhoria da qualidade, tecnologia, capacitação e maior aproximação com consumidores.
É esse conjunto de questões que dá dimensão ao congresso de Marabá.
Durante três dias, as abelhas estarão no centro das atenções, mas a discussão será muito maior: como produzir na Amazônia, gerar renda no campo, valorizar produtos regionais e, ao mesmo tempo, manter os ambientes naturais capazes de sustentar a própria atividade.
Com a EXPOAMA como cenário, o 21º APIPARÁ pretende transformar Marabá em ponto de encontro de uma cadeia que ainda tem muito espaço para crescer no Pará.
SERVIÇO:
21º APIPARÁ – Congresso Paraense de Apicultura e Meliponicultura
Tema: “Fortalecendo a Apicultura e Meliponicultura da Amazônia”
Data: 17, 18 e 19 de setembro de 2026
Local: Marabá (PA)
Evento integrado: XXXVIII EXPOAMA
Espaços: Centro Universitário Anhanguera de Marabá, Parque de Exposição José Francisco Diamantino e IFPA Campus Rural de Marabá
Destaque: Concurso de Mel da FAPIC, com categorias para mel de abelhas sem ferrão e Apis mellifera.
As inscrições para o congresso estão disponíveis pela plataforma Sympla.

Fotos: Divulgação/R3 Comunicação