Pecuária paraense em ascensão: um pilar da economia e sustentabilidade

 Pecuária paraense em ascensão: um pilar da economia e sustentabilidade

REGINALDO RAMOS/R3 Comunicação

O Estado do Pará se destaca nacionalmente na pecuária, ocupando a segunda posição em rebanho bovino e liderando a produção de búfalos no Brasil. Com um rebanho bovino superior a 25 milhões de cabeças, o Pará é também o maior exportador de bovinos em pé do país. A bubalinocultura é especialmente forte, com a maior parte do rebanho de búfalos concentrando-se na Ilha do Marajó.

Conforme dados do estatístico João Ulisses, do Núcleo de Planejamento e Estatísticas (Nuplan) da Secretaria de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca (Sedap), nos primeiros sete meses deste ano, o Estado embarcou cerca de 370 mil cabeças de gado, com o Egito como principal destino (36,2%), seguido por Marrocos (13,4%) e Argélia (1,3%). Esse desempenho reafirma a posição de liderança do Pará e evidencia a crescente importância da pecuária paraense no comércio internacional de animais vivos. Em julho, o estado registrou um volume exportado de 56,39 mil cabeças, representando um crescimento de 40,6% em comparação ao mesmo período de 2024.

Além do Egito, a Arábia Saudita e a Turquia também demandaram lotes significativos, enquanto os mercados de Marrocos e Argélia se destacaram pela importação de bovinos com peso médio superior a 540 kg, preferindo animais prontos para o abate. Em termos financeiros, as exportações paraenses alcançaram US$ 343,87 milhões, um impressionante aumento de 69,8% em relação ao ano anterior.

Daniel Freire, presidente do Sindicato da Carne e Derivados do Pará (Sindicarne), destacou em entrevista ao portal amazoniamais.tv.br que, apesar de o Pará representar apenas 10% do abate nacional, é o principal fornecedor ao Egito, com 134,20 mil animais exportados até julho, embora com um peso médio de 313,68 kg, indicando preferência por bovinos mais leves. Freire afirma que o Pará possui condições excepcionais para a produção de carne, com abundância de luz, chuvas e terras, sendo que menos de 15% do território é utilizado para a pecuária. Ele expressou orgulho na capacidade do estado de alimentar o Pará e o Brasil, e manifestou interesse em aumentar a participação no mercado global.

Francisco Victer, coordenador da Aliança Paraense pela Carne, explicou que, ao longo de duas décadas, o Estado exportou muitos animais sem incidentes sanitários. Ele ressaltou que o Brasil nunca registrou um caso de ‘mal da vaca louca’ clássico, assegurando a isenção de risco de transmissão, dada a forma como os bovinos são criados. Além disso, Victer mencionou que as entidades do setor têm um auditor fiscal federal presente nas unidades operacionais, garantindo fiscalização rigorosa antes e depois do abate

Outro avanço significativo mencionado por Victer, foi a Rastreabilidade Bovídea Individual do Pará, que visa identificar individualmente os bovinos e bubalinos no estado até 2026. A rastreabilidade bovina é um processo que envolve a identificação, registro e acompanhamento de cada animal ao longo de sua vida produtiva. Isso inclui informações sobre movimentações, vacinações, tratamentos sanitários e eventos de abate. Cada bovino recebe um número de identificação único, que funciona como um “RG” do animal, permitindo que todas as informações relevantes sejam registradas em um banco de dados. “Nós temos qualidades quase que exclusivas, porque nós praticamos uma pecuária a pasto. Trabalhamos com a tecnologia aliada ao processo de produção, no sentido de melhorar o acabamento de bovinos, para que a nossa carne seja cada vez mais apreciada pelos seus valores amazônicos”, concluiu Francisco Victer.

O diretor geral da Adepará, Jamir Macedo, enfatizou que a rastreabilidade, parte do Programa Pecuária Sustentável do Pará, que demonstra o compromisso do estado com o desenvolvimento sustentável da pecuária, promovendo transparência na cadeia produtiva. “O sistema de identificação individual do rebanho bovino e bubalino fortalece e agrega valor à produção pecuária, preparando-a para os mercados internacionais”, afirmou Jamir Macedo.

O Comitê Gestor de Rastreabilidade foi instituído pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) para coordenar, supervisionar e monitorar o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos (PNIB). O comitê tem caráter consultivo e é composto por representantes de diversas entidades, incluindo a Secretaria de Defesa Agropecuária, a Embrapa, a CNA, e outras associações. As reuniões do comitê ocorrem mensalmente e são essenciais para a execução do plano de rastreabilidade que começou em 2025 e se estende até 2032.

Fotos e vídeos: R3 Comunicação

Roberto Barbosa

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