Santarém sedia o II MELIAPIBAM e reúne apicultores e meliponicultores do Baixo Amazonas
Por Reginaldo Ramos / Pedro Medina / R3 Comunicação
Santarém, no Oeste do Pará, tornou-se ponto de encontro de apicultores, meliponicultores, pesquisadores, estudantes e representantes de instituições interessadas no fortalecimento da cadeia produtiva do mel na Amazônia.

O município realiza o II MELIAPIBAM — Congresso de Apicultura e Meliponicultura do Baixo Amazonas, iniciativa que promove a troca de conhecimentos e valoriza a produção regional.
Iniciado na manhã de quinta-feira, dia 5, o congresso ocorre no campus do Instituto Federal do Pará (IFPA), com a participação de autoridades, professores, pesquisadores, a Federação das Associações de Apicultores-Fapic e associações de apicultores e meliponicultores de Santarém, Belterra e outros municípios da Amazônia paraense. A programação segue até sábado, dia 7, com palestras e atividades voltadas aos desafios e às oportunidades do setor.

A cerimônia de abertura oficial reuniu na mesa de honra o vice-prefeito de Terra Santa, Lucivaldo; Dorotéia Paz de Vasconcelos, representando o prefeito de Belterra; Adriano Araújo, diretor do IFPA Campus Santarém; Thalita Praxedes, representante da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade; Júnior Serra, superintendente do Sistema OCB/PA; Joelma Nunes, representando a FAPIC e o cooperativismo; o Dr. Carlos Alfredo Lopes de Carvalho (UFRB); Simone Ponce (Bee2Be); a coordenadora-geral Adcléia Pires; e o professor Carlos Mikael Mota, do IFPA e da Comissão Científica.
Entre os destaques do primeiro dia, o professor e pesquisador da Universidade Federal da Bahia, Carlos Alfredo, ressaltou, em entrevista ao portal amazoniamais.tv.br, a importância das abelhas para a manutenção dos ecossistemas. Além de produzirem mel e outros derivados, esses insetos contribuem para a polinização das plantas, processo essencial à reprodução de diversas espécies vegetais e à conservação da biodiversidade.
A coordenadora do evento, Adcleia Pires, destacou o papel da apicultura e da meliponicultura na geração de emprego e renda, na oferta de alimentos e no desenvolvimento da região. Para ela, o congresso também evidencia que a articulação entre produtores é fundamental para fortalecer e ampliar a cadeia produtiva do mel no Pará.
A professora Josefa Clenilda de Sousa, que aproveitou o encontro para expor seus produtos, avaliou que o Meliapibam coloca Santarém em posição de destaque nas discussões sobre o futuro da produção de mel no estado. Ela também ressaltou a importância de eventos que ampliem o conhecimento sobre o alimento e contribuam para o fortalecimento do setor. Produzido pelas abelhas a partir do néctar das flores, o mel contém principalmente açúcares naturais e pode apresentar minerais, enzimas e outros compostos, variando de acordo com sua origem floral.
A gastronomia também integra as discussões do congresso. O chef Ricardo Barbosa, responsável pela alimentação dos participantes, falou à reportagem sobre o uso do mel na culinária. Segundo ele, o ingrediente vai além da função de adoçante: seu sabor, aroma e características permitem incorporá-lo a diferentes preparações, equilibrando receitas e adicionando novas possibilidades à experiência gastronômica.

A regularização e a legalização do comércio de mel, tanto o produzido na apicultura, com abelhas Apis mellifera, quanto o da meliponicultura, que envolve espécies nativas sem ferrão, também foram debatidas durante a abertura do evento. O tema é importante para garantir que a produção e a comercialização atendam às exigências ambientais, sanitárias e fiscais.
A médica-veterinária Talita Praxedes explicou que esse processo depende da atuação conjunta de órgãos ambientais, serviços de defesa agropecuária e instituições de pesquisa. Como o mel é um produto de origem animal e a criação de abelhas nativas envolve espécies da fauna silvestre, os produtores precisam observar diferentes etapas e normas para regularizar suas atividades.
O engenheiro agrônomo Plácido Magalhães, também presente no congresso, chamou atenção para a contribuição das abelhas na recuperação ambiental e florestal. Ao visitar as flores em busca de néctar e pólen, elas transportam grãos de pólen entre as plantas, favorecendo a fecundação e a formação de frutos e sementes, etapas importantes para a regeneração e a perpetuação de muitas espécies vegetais.

Ao reunir criadores de abelhas com ferrão, como a Apis mellifera, e de abelhas nativas sem ferrão, o II MELIAPIBAM estimula a cooperação entre diferentes segmentos do setor. O encontro também abre espaço para discutir produção, conservação ambiental, segurança alimentar e os caminhos para ampliar, com responsabilidade, a presença do mel amazônico nos mercados nacional e internacional.