Fortalecendo Laços Científicos: UFPA e Muséum National d’Histoire Naturelle em Prol da Amazônia

 Fortalecendo Laços Científicos: UFPA e Muséum National d’Histoire Naturelle em Prol da Amazônia

REGINALDO RAMOS / R3 COMUNICAÇÃO

A Universidade Federal do Pará (UFPA) continua a expandir suas parcerias para fortalecer pesquisas científicas voltadas à sociobiodiversidade, meio ambiente e mudanças climáticas na Amazônia. Nesse contexto, no dia 2 de outubro, a UFPA recebeu uma comitiva do Muséum National d’Histoire Naturelle (MNHN), liderada pelo presidente Gilles Bloch. O objetivo da missão foi ampliar a cooperação científica com instituições brasileiras, especialmente a UFPA e suas redes de pesquisa em biodiversidade e mudanças climáticas, em preparação para a Conferência das Partes, a COP 30. Atualmente, a UFPA mantém 28 acordos ativos com instituições francesas, abrangendo cooperação acadêmica, cotutelas e dupla diplomação. A visita da comitiva do MNHN reafirma esse compromisso e abre novas oportunidades para expandir a mobilidade de estudantes e docentes, fortalecer as redes de pesquisa e consolidar a internacionalização da ciência na Amazônia.

Gilles Bloch, diretor do MNHN, enfatizou ao repórter Reginaldo Ramos, do Portal amazoniamaistv.br, a relevância das parcerias institucionais com o Brasil, destacando a Amazônia paraense como uma região crucial para estudos científicos globais. Ele ressaltou que, nas áreas das ciências da vida, meio ambiente, ciências humanas e sociais, França e Brasil estabelecem colaborações visando o desenvolvimento científico. “Com quase quatro séculos de história e mais de 68 milhões de espécimes, o Muséum acredita que o futuro da ciência depende da cooperação internacional, e o Brasil é um parceiro essencial na agenda global de biodiversidade e clima”, afirmou.

Nadège Mézié, doutora em antropologia pela Universidade Paris Descartes e pesquisadora associada do Núcleo de Estudos da Religião (NER) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), concedeu uma entrevista exclusiva ao Portal amazoniamais.tv.br, destacando a importância de compreender a Amazônia além de suas florestas. Segundo ela, a colaboração entre França e Brasil permitirá não apenas a troca de experiências científicas, mas também um entendimento mais profundo da cultura e modo de vida nas comunidades tradicionais e originárias, assim como nas cidades amazônicas, com suas riquezas e desafios. “A ciência na Amazônia é fundamental e benéfica para o planeta”, enfatizou Nadège.

A visita contou também com a participação de Jane Lecomte, especialista em dinâmica populacional e processos de dispersão em paisagens fragmentadas e membro do Conselho Binacional do Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica (CFBBA); Carole Pierlovisi, diretora de Relações Internacionais do MNHN; e Nadège Mézié, coordenadora do CFBBA.

O professor Leandro Juen, coordenador do Centro Integrado da Sociobiodiversidade da Amazônia (Cisam/UFPA), destacou que “a cooperação científica entre França e Brasil, especialmente entre a UFPA e o Muséum National d’Histoire Naturelle, é estratégica para enfrentar desafios globais em biodiversidade e mudanças climáticas”.

Brasil e França estão fortalecendo parcerias em ciência e tecnologia por meio de projetos em áreas como biodiversidade amazônica, saúde global e ciências humanas e meio ambiente. Isso inclui iniciativas recentes como o Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica (CFBBA) e o lançamento de Plataformas Internacionais de Pesquisa. A cooperação abrange financiamento mútuo de pesquisas, intercâmbio de recursos humanos e a criação de redes de colaboração entre instituições, como o CNPq e a Agência Nacional de Pesquisa (ANR) francesa.

O pesquisador Joás Brito, do Laboratório de Ecologia e Conservação (LABECO/UFPA), apresentou a longa contribuição de sua equipe, que monitora insetos aquáticos, peixes e macrófitas em mais de 500 sítios de amostragem. A professora Ana Cristina Mendes de Oliveira (UFPA) destacou estudos sobre a vulnerabilidade dos mamíferos frente aos processos antropogênicos na Amazônia.

A professora Grazielle Teodoro, do Laboratório de Ecologia de Produtores Primários (ECOPRO/UFPA), exemplificou pesquisas relacionadas à vegetação. “Nossos estudos analisam estratégias ecológicas de plantas aquáticas e terrestres em diversos ecossistemas amazônicos. Avaliamos como a vegetação responde a mudanças climáticas e alterações do uso do solo, como os impactos do manejo do açaí em áreas de várzea. Projetos conjuntos podem avançar o entendimento sobre como os ecossistemas respondem às mudanças climáticas e orientar estratégias de restauração.”

A professora Daiana Travassos Alves lembrou que a história humana na região deixou marcas duradouras. Ela ressaltou que a arqueologia na Amazônia revela que o uso da terra pelos povos pré-coloniais teve impactos profundos na biodiversidade atual. As práticas de policultura agroflorestal e manejo do fogo resultaram em florestas mais diversas e resilientes, com presença de cultígenos nativos e exóticos. “Esses legados históricos ajudam a entender como as sociedades humanas moldaram ecossistemas e apontam caminhos para práticas sustentáveis hoje”, concluiu a professora.

História e Contribuição Científica – O MNHN reúne quase quatro séculos de conhecimento e uma das maiores coleções científicas do mundo, enquanto a UFPA se destaca como protagonista na pesquisa amazônica. Em 2024, segundo levantamento da Elsevier, a universidade foi reconhecida como a instituição que mais produz conhecimento científico sobre biodiversidade em toda a Pan-Amazônia, reforçando sua posição de liderança e a importância de estreitar laços com parceiros internacionais de excelência.

A visita foi organizada pelo Programa de Pós-Graduação em Ecologia (PPGECO/UFPA) em parceria com as principais redes de pesquisa sobre sociobiodiversidade da Amazônia e com o Centro Franco-Brasileiro da Biodiversidade Amazônica (CFBBA). Segundo a coordenação, a presença da comitiva francesa destaca a importância da internacionalização e abre novas oportunidades de cooperação acadêmica, científica e cultural entre Brasil e França.

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