FIEPA Lidera Discussões sobre Etanol e Transição Energética na COP30
REGINALDO RAMOS / R3 COMUNICAÇÃO
O etanol assume um papel central na pauta energética da Fiepa com o lançamento do “Etanol & COP 30: Liderança Brasileira Energética Global”, realizado na manhã de sexta-feira, 03 de outubro, na sede da entidade em Belém. O evento visa discutir a transição energética na Amazônia e no Brasil. Esta iniciativa é parte de uma agenda alinhada à COP30, que ocorrerá em Belém, de 10 a 21 de novembro.

A ação, em parceria com a Bioenergia Brasil, a Federação das Indústrias do Estado do Pará (FIEPA), o Sindicato da Indústria de Fabricação de Etanol do Estado do Pará (Sindicanálcool) e a União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (UNICA), reuniu líderes do setor produtivo, autoridades governamentais e especialistas, nacionais e internacionais, para explorar a relevância do Brasil e do etanol na transição energética.
A programação incluiu painéis sobre a experiência do Brasil com o etanol, seus efeitos na matriz energética global, estratégias para a COP30 e o papel das empresas na transição energética, destacando iniciativas de grandes companhias do setor. Entre os participantes estavam representantes de empresas como Stellantis, Toyota, FS, Atvos, BP Bioenergy e Coruripe, além de entidades como MRE, MME, Pagrisa e Agroicone.
Conforme Milton Campelo, presidente do Sindicanálcool Bioenergia, existem cerca de 400 indústrias de etanol em todo o País. Em entrevista ao Portal amazoniamais.tv.br, Milton ressaltou que o evento proporcionou uma excelente oportunidade para as lideranças do setor demonstrarem a experiência do Brasil na produção de biocombustíveis, em especial o etanol de biomassa, cana-de-açúcar, milho e outros grãos. Ele destacou a Pagrisa, de Ulianópolis, no Pará, como exemplo de eficiência energética e sustentabilidade. Segundo ele, a Pagrisa é a única produtora de cana-de-açúcar para etanol na região norte do Brasil, enfatizando que onde há uma indústria de etanol, há uma melhoria na qualidade de vida das pessoas por meio da geração de empregos e renda.

Os assuntos discutidos no evento incluíram a expansão, sustentabilidade e futuro da bioenergia no Brasil; o impacto dos biocombustíveis na matriz de combustíveis nacional em comparação com o cenário mundial; o etanol como combustível estratégico para transporte urbano, aviação e marítimo na descarbonização; desenvolvimento regional através da agroindústria de bioenergia; redução de carbono com a estratégia RenovaBio; e o potencial do mercado brasileiro de etanol nos próximos anos.
Mário Campos, presidente da Bioenergia Brasil, destacou que o Brasil tem um grande potencial de produção, com o Pará, Tocantins e Goiás se destacando no agronegócio. Em entrevista ao nosso Portal, Campos detalhou a importância da Amazônia para a produção de etanol e a COP30 no Pará como uma oportunidade única para dialogar com diversas delegações internacionais, destacando o etanol como um biocombustível sustentável para substituir combustíveis fósseis globalmente.

Um dos momentos marcantes do encontro foi a assinatura do Termo de Cooperação Técnica, que reúne propostas do setor para ampliar a presença do etanol e das bioenergias na agenda climática global. O documento enfatiza a cooperação entre governo, empresas e sociedade para fortalecer o papel do Brasil na transição energética. Essa iniciativa destaca o papel estratégico do etanol e das bioenergias no enfrentamento das mudanças climáticas, reafirmando o compromisso com uma matriz energética mais limpa e sustentável.
Durante a assinatura do documento, Alex Carvalho, presidente da Fiepa, sublinhou a importância da parceria com a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Mineração e Energia-Sedeme, liderada pelo ex-deputado Paulo Benggtson, para fortalecer o setor energético na Amazônia. Bengtson também confirmou o compromisso da secretaria e do governo do Estado em promover o desenvolvimento econômico, geração de empregos e preservação ambiental, defendendo uma abordagem tecnológica adaptada às realidades para a transição energética no Brasil.
Na entrevista ao Portal amazoniamais.tv.br, Alex Carvalho compartilhou mais detalhes sobre os temas discutidos no “Etanol & COP30: Liderança Brasileira Energética Global”, que devem repercutir na COP30.
O secretário de Estado Paulo Bengtson, representando o governador Helder Barbalho, mencionou a grande capacidade do Pará no setor energético por meio do cultivo de cadeias produtivas essenciais para a indústria de biocombustíveis, como óleo de palma, óleo de soja e a implementação de indústrias de etanol de milho. “O Pará é um grande campo para negócios em biocombustíveis nos próximos anos”, finalizou
Fernão Zancaner, da Pagrisa, a maior empresa do norte do País e única do Pará a produzir etanol e açúcar cristal, destacou que a empresa atua há 58 anos na região amazônica, gerando mais de 1.700 empregos diretos e 7.200 indiretos, beneficiando mais de 28 mil pessoas em Ulianópolis, sudeste do Pará. Ele afirmou que a Pagrisa contribui para a melhoria dos índices de desenvolvimento socioeconômico em Paragominas e região. “Cultivamos e processamos cana-de-açúcar e também desenvolvemos atividades como cultivo de soja e milho. A Pagrisa possui cerca de 15 mil hectares de cana-de-açúcar, plantada e colhida de forma 100% mecanizada. Isso demonstra o ótimo potencial da Amazônia para a geração de biocombustíveis. O encontro de hoje ajudará a definir metas específicas para a COP30 e favorecer o Brasil com propostas que unem sustentabilidade e desenvolvimento”, concluiu.
O deputado federal Arnaldo Jardim, presidente da Comissão Especial da Transição Energética e Produção de Hidrogênio Verde e relator da Lei do Combustível do Futuro, considerou o encontro uma ótima oportunidade para discutir soluções que favoreçam a produção de combustíveis a partir de fontes naturais e que substituam combustíveis fósseis. Jardim citou o etanol, que pode ser adicionado à gasolina, ou substituí-la, o biodiesel que pode substituir o diesel, e o combustível sustentável de aviação (SAF), uma alternativa ecológica ao querosene convencional, com potencial de reduzir as emissões de gases de efeito estufa entre 55% e 90%. Ele também mencionou o Biobanker, um combustível para barcos que substitui parcialmente o diesel por biodiesel, produzido a partir de óleos vegetais ou gorduras animais. Em entrevista ao Portal amazoniamais.tv.br, Arnaldo Jardim destacou ainda a participação da agricultura familiar na produção de cadeias produtivas que servem de matéria-prima na industrialização de biocombustíveis.

O Brasil é o segundo maior produtor de etanol do mundo, atrás apenas dos Estados Unidos. O cultivo de cana-de-açúcar e milho para biocombustível ocupa apenas 0,9% do território nacional. O uso de etanol anidro na gasolina e etanol hidratado (E100) nos veículos flex evitou a emissão de mais de 630 milhões de toneladas de CO2 na atmosfera nos últimos 20 anos. Atualmente, 83% dos veículos leves podem usar gasolina, etanol, ou uma combinação de ambos. O Brasil também se destaca como uma das principais referências globais em energia limpa.