Pará reforça protagonismo da bioeconomia e da agricultura familiar na COP30

 Pará reforça protagonismo da bioeconomia e da agricultura familiar na COP30

Por ROBERTO BARBOSA/R3 Comunicação

No segundo dia da conferência climática da COP30, o Estado do Pará apresentou à comunidade internacional sua estratégia de valorização da bioeconomia e da agricultura familiar, destacando que essa aposta ocorre sem que haja expansão do desmatamento. Segundo dados da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), o Pará conta, atualmente, com cerca de 400 agroindústrias que produzem alimentos considerados seguros e de qualidade — resultado de políticas públicas voltadas à inclusão produtiva no meio rural.

Pioneiro no Estado a implementar o “Selo Artesanal Vegetal”, o governo paraense, por meio da Adepará, participou do painel intitulado “Selo de Inspeção Artesanal Vegetal: inclusão produtiva e resiliência climática a partir do registro de estabelecimentos de alimentos tradicionais na Amazônia paraense”, realizado na segunda-feira (10) no Pavilhão Pará, Zona Verde da conferência.

O evento reuniu representantes da Adepará, do setor social e agricultores familiares, que expuseram experiências e perspectivas vinculadas ao fortalecimento da bioeconomia na Amazônia.

Durante sua fala, a gerente de Inspeção e Classificação Vegetal da Adepará, agrônoma Joselena Tavares, enfatizou o caráter inovador da iniciativa no Estado:

“A agroindustrialização surge como alternativa para aumentar a vida útil dos produtos, garantir renda aos produtores durante todo o ano e evitar o desperdício de alimentos. Assim, geramos mais renda no campo e reduzimos a pressão sobre a floresta. Não existe transição climática justa sem inclusão produtiva.”

Ela destacou ainda que o registro formal de agroindústrias combate a informalidade e permite que pequenos produtores conquistem reconhecimento jurídico e agreguem valor aos seus produtos. “É um modelo amazônico que pode ser replicado em outros estados e até em outros países. Já recebemos comitivas de várias regiões interessadas em adotar essa experiência”, afirmou.

O pesquisador do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) Edivan Carvalho apontou que as parcerias têm papel estratégico para os impactos positivos desta política pública. Ele observou que muitas agroindústrias registradas utilizam sistemas agroflorestais, fontes de energia limpa — como a solar — e tecnologia adequada ao porte dos pequenos produtores. Segundo Carvalho, cerca de 12% das agroindústrias registradas junto à Adepará mantêm parceria com o Ipam e receberam apoio técnico para o processo de regularização.

Dentro dos estabelecimentos já registrados, mais de 170 operam com derivados da mandioca (farinhas, farofas, tucupi e goma de tapioca) — produtos típicos da bioeconomia paraense que já figuram em grandes redes de supermercado e até em exportações. Um caso citado foi a marca Farinha Québec, produzida em Tomé-Açu e comercializada em pelo menos cinco países. Liderado pela agricultora Ginelda Lima — que coordena uma rede com mais de 50 fornecedores de mandioca e tem dez produtos registrados — o empreendimento exemplifica a cadeia de rastreabilidade da matéria-prima até o produto final. “O selo artesanal agregou valor ao meu produto e melhorou a nossa qualidade de vida. Meus clientes consomem com confiança e carinho, porque sabem que a farinha é feita com responsabilidade e seguindo todas as normas de higiene”, disse Ginelda.

COMO ACESSAR O REGISTRO

Para obter o Selo Artesanal Vegetal, o produtor precisa se adequar às Boas Práticas de Produção: adequar instalações, garantir higiene na manipulação e transporte adequado dos alimentos. A Adepará oferece visitas técnicas e orientação para auxiliar no cumprimento das normas sanitárias e dar acesso à comercialização legal em todo o Estado.

AGENDA DA ADEPARÁ NA COP30

A Adepará segue com participação na COP30 em eventos que vão além da agricultura familiar, entrando também no campo da pecuária e saúde animal. O cronograma inclui:

  • 13/11, às 17h30: roda de conversa “Raiva: o elo invisível entre humanos, animais e ambiente”.
  • 16/11, às 8h: visita técnica em Inhangapi com tema “Pecuária sustentável” e participação do Ministro da Noruega.
  • 17/11, às 14h: apresentação sobre “Rastreabilidade e desenvolvimento da defesa agropecuária do Pará” – reunião com diretoria da OMSA.
  • 18/11, das 7h às 12h30: visitas técnicas em Inhangapi e Castanhal (propriedade rural e frigorífico Mercúrio) com a diretoria da OMSA.
  • 19/11, às 15h: roda de conversa “Saúde animal, saúde de todos” no Auditório da Faepa.
  • 20/11, das 11h às 12h: visita oficial da diretoria da OMSA na Blue Zone.

Contexto mais amplo

A COP30, ocorrendo em Belém entre 10 e 21 de novembro de 2025, marca um momento significativo para o Brasil e especialmente para o Pará. Dentro desse contexto, o Brasil lançou a iniciativa Bioeconomy Challenge, em parceria com a sociedade civil e organismos multilaterais, com o objetivo de transformar em ação os princípios da bioeconomia até 2028. Além disso, dados divulgados pouco antes do evento apontam que o desmatamento na Amazônia brasileira caiu cerca de 11% nos 12 meses até julho de 2025, alcançando o menor nível em 11 anos. Tais números reforçam o discurso do Pará sobre conciliar produção, inclusão e preservação.

Fotos: Agência Pará

Roberto Barbosa

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