Diálogo e Ação na COP30: O Papel do Brasil e a Sustentabilidade Amazônica

 Diálogo e Ação na COP30: O Papel do Brasil e a Sustentabilidade Amazônica

Por REGINALDO RAMOS/R3 Comunicação

No segundo dia oficial da COP30, as discussões se estenderam em temas essenciais como energia, transporte, comércio, finanças, mercados de carbono, além de gases não-CO2 e a indústria. O foco se concentrou em negociações climáticas importantes e na defesa do protagonismo do Brasil na agenda ambiental. A terça-feira, 11 de novembro, foi marcada pela continuidade das discussões na “Blue Zone”, onde mais de 140 delegações de diversos países, incluindo Indonésia, China, Portugal e Brasil, participaram de atividades e negociações sobre pautas ambientais e soluções sustentáveis. O objetivo central das negociações é avançar em direção a metas mais ambiciosas, como a de limitar o aquecimento global e garantir a sustentabilidade do planeta.

Os participantes também estão abordando o financiamento climático, para ajudar países em desenvolvimento a implementar soluções eficazes contra as mudanças climáticas. Senadores, deputados, ministros, governadores e autoridades estrangeiras e brasileiras presentes no evento destacaram o papel de liderança do Brasil nas discussões climáticas, defendendo a autoridade do país devido aos seus esforços em energias renováveis e redução do desmatamento.

O cientista Russell Mittermeier, um proeminente primatólogo e conservacionista (atual Chefe do Grupo de Especialistas em Primatas da UICN/SSC e ex-presidente da Conservation International), vê a Amazônia como um componente absolutamente crítico e central para o sistema climático global e a manutenção da biodiversidade. Ao Portal amazoniamais.tv.br, Mittermeier enfatizou que a floresta Amazônica não apenas abriga uma imensa biodiversidade, mas também garante os regimes de chuva para grande parte da América do Sul e desempenha um papel central na mitigação das mudanças climáticas globais, retendo gases de efeito estufa.

O governador do Amazonas, Wilson Lima, participou do painel “Ciência, Tecnologia e Inovação” da Blue Zone, no Pavilhão da Amazônia. Ele lançou o “Plano Estadual de Bioeconomia e Política de Transição Energética”, pautado em estratégias que consolidam o novo ciclo de desenvolvimento sustentável do Amazonas. As entregas foram acompanhadas por portfólios da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), que reúnem resultados de pesquisa e investimentos em inovação voltados à sustentabilidade e adaptação às mudanças climáticas. Segundo o governador, o Plano de Bioeconomia representa um guia para as ações do Estado nas próximas décadas, resultado de um processo de escuta e construção coletiva.

Durante o evento, Lima concedeu uma entrevista ao Portal amazoniamais.tv.br, destacando a importância de resultados efetivos para a população e a necessidade de repensar a COP30 para incluir a Amazônia. Ele defendeu que a agenda climática global deve gerar resultados pragmáticos, priorizando a proteção da floresta e a geração de oportunidades sustentáveis. Wilson Lima também ressaltou que o Amazonas apresenta, na COP30, um conjunto de seis entregas estruturantes, consolidando o estado como referência mundial em desenvolvimento sustentável e transição energética.

A ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Marina Silva, participou de compromissos oficiais durante o 2º dia da COP30. O Mutirão contra o Calor Extremo da Presidência da COP30 e da Cool Coalition, liderada pelo PNUMA, contou com a presença da ministra, que defendeu a urgência de cuidar das “causas” das mudanças climáticas, incluindo a mitigação de emissões e o combate aos ilícitos ambientais. Marina afirmou que a mudança climática ocorre majoritariamente devido à emissão de gases de efeito estufa, que provêm da queima de combustíveis fósseis e do desmatamento. Ela enfatizou que o calor extremo é um dos principais desafios climáticos urbanos e afeta desproporcionalmente as populações vulneráveis.

A indústria brasileira também marca presença na COP30, com uma atuação dedicada a fortalecer sua presença na agenda climática global. Apresentará os resultados da SB COP (Sustainable Business COP), uma mobilização empresarial focada em soluções socioambientais. A SB COP, lançada pela CNI em 2024, representa cerca de 40 milhões de empresas de mais de 60 países. O movimento articula propostas e soluções para reduzir emissões e impulsionar investimentos sustentáveis.

A abertura oficial do estande da Confederação Nacional da Indústria (CNI) ocorreu na terça-feira (11), na Blue Zone da COP30, simbolizando o compromisso da indústria brasileira em liderar a transição para uma economia de baixo carbono.

O presidente da CNI, Ricardo Alban, destacou a obrigação da participação da indústria na transição climática, defendendo que o crescimento econômico é o caminho mais justo para melhorar as condições sociais.

Alex Carvalho, presidente da FIEPA, também participou da abertura, destacando o papel importante da indústria do Pará na conferência promovendo e participando de debates sobre sustentabilidade na mineração e economia circular, e dando continuidade com uma agenda ativa durante todo o evento. Para o presidente da FIEPA, o papel da indústria é converter o potencial biológico da floresta em produtos de alto valor agregado, como biocosméticos, biopolímeros e bioprodutos agregando inovação, tecnologia e rastreabilidade às cadeias produtivas sustentáveis.

Durante o evento, o presidente da FIEPA reforçará ainda as pautas prioritárias da indústria amazônica, entre elas o fortalecimento das bioindústrias regionais, a expansão da infraestrutura logística e energética, a atração de investimentos verdes e o reconhecimento e soluções para o chamado “Custo Amazônia”, conjunto de desafios que comprometem a competitividade e o desenvolvimento regional, como a dificuldade de acesso a mercados, altos custos logísticos, defasagem tecnológica, morosidade no licenciamento ambiental, ausência de incentivos fiscais e ilegalidades como desmatamento e garimpo.

De acordo com dados da conferência, o evento já superou a marca de 56 mil credenciados, e o governo federal lançou um mapa para orientar a participação da sociedade civil nas diversas atividades do evento. A terça-feira, 11 de novembro, foi um dia de intensas discussões técnicas e uma vibrante programação pública, buscando integrar a ciência climática com a realidade e a cultura da Amazônia.

Fotos e vídeos: R3 Comunicação

Roberto Barbosa

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