COP30: Dia da Biodiversidade, das Florestas e dos Povos destaca protagonismo amazônico e força das redes na Blue Zone no estande da UFPA

 COP30: Dia da Biodiversidade, das Florestas e dos Povos destaca protagonismo amazônico e força das redes na Blue Zone no estande da UFPA

Da redação do Portal amazoniamais.tv.br / ASCOM UFPA

A Universidade Federal do Pará (UFPA) promoveu, no dia 17 de novembro, uma programação intensa na Blue Zone da COP 30 dedicada à biodiversidade, às florestas e aos povos da Amazônia. Pesquisadores, lideranças jovens, representantes de povos indígenas, comunidades tradicionais, instituições internacionais e gestores públicos se reuniram para discutir soluções amazônicas construídas a partir da ciência, dos saberes tradicionais e de políticas públicas integradas. As mesas do dia reforçaram pontos estruturantes da Carta de Belém, documento produzido por diversas redes de pesquisa amazônicas que defende investimento contínuo, protagonismo regional e fortalecimento das plataformas e redes de monitoramento como pilares essenciais para a implementação da NDC brasileira.

A abertura destacou o papel das juventudes na luta contra o desmatamento e na defesa da justiça climática. Uma das lideranças presentes sintetizou que “a juventude tem mostrado que não existe combate ao colapso climático sem enfrentar desigualdades estruturais”. No painel seguinte, dedicado à expansão da exploração do petróleo na Bacia Amazônica, pesquisadores alertaram sobre os impactos socioambientais do avanço da exploração, reforçando que “o avanço do petróleo na margem equatorial não é apenas uma decisão energética, mas sim uma decisão territorial”.


No painel “Monitorar para Cuidar”, especialistas discutiram lacunas de informação, tecnologias emergentes e a urgência da participação social. Thaísa Michelan (UFPA) destacou que “sem dados locais não sabemos o que estamos perdendo nem o que está funcionando. Monitorar é a única forma de transformar evidências em políticas públicas”. Karina Dias da Silva (UFPA) reforçou que “a Amazônia é a região mais monitorada via satélite, mas a menos conhecida no nível do chão, onde a biodiversidade realmente vive”. Henrique Pereira (INPA/CFBBA) lembrou que “monitorar para cuidar” significa transformar aprendizados acumulados em estratégias integradas. A COP 30 é uma oportunidade para afirmar que monitoramento é política pública, e não projeto isolado”.

Essa perspectiva foi complementada por Nadège Mezié (CFBBA), que afirmou que “as redes de biodiversidade precisam integrar de forma permanente o componente social”. Não existe conservação sem compreender as pessoas e seus territórios”.
Em mesa que reuniu o setor privado, o governo e a universidade, diferentes instituições apresentaram resultados concretos de parcerias para a conservação e a produção de conhecimento na Amazônia. Ana Cristina Mendes de Oliveira apresentou o Consórcio Brasil–Noruega de Biodiversidade (BRC), como um modelo de sucesso de parceria entre academia e indústria, destacando o importante papel da pesquisa independente na resolução de questões ambientais envolvendo o setor produtivo. Destacou ainda a importância do envolvimento de instituições locais como a UFPA nestas parcerias, impulsionando e ampliando o potencial de fortalecimento de pesquisas ambientais amazônicas e fortalecendo a formação de jovens pesquisadores amazônidas.

Em seguida, Túlio Dias (Agropalma) apresentou dados recentes do monitoramento realizado em parceria com a UFPA e a CI, destacando que “mais de 1.000 espécies já foram registradas nas áreas da empresa, muitas delas endêmicas ou até ameaçadas”. Ele também enfatizou que esse esforço conjunto resultou “na produção de dezenas de artigos científicos e na formação de diversos alunos de mestrado e doutorado”, evidenciando o impacto científico e formativo de parcerias estruturadas.
A vice-reitora da UFPR professora Camila Fachin reforçou a contribuição das instituições públicas de ensino superior para o avanço da agenda climática e destacou três projetos da universidade diretamente vinculados à pauta ambiental, afirmando que “as universidades são as principais promotoras de desenvolvimento de conhecimento científico no país”.

Encerrando o painel, o reitor da UFPA, professor Gilmar Pereira da Silva, enfatizou a importância das parcerias interinstitucionais, mas reforçou um ponto essencial: “todas as parcerias da UFPA são conduzidas com total imparcialidade e com autonomia científica plena, garantindo que a universidade publique resultados de forma independente, qualquer que seja o seu conteúdo”.

Leandro Juen (UFPA) complementou afirmando que “as redes amazônicas mostram que só avançamos quando ciência, gestão pública e setor produtivo atuam juntos, respeitando a sociobiodiversidade e quem vive nos territórios”. Reforçando que “modelos produtivos só serão sustentáveis se adotarem ciência como base e reconhecerem a complexidade amazônica”.
No painel “Floresta Viva”, o pesquisador Geraldo Fernandes (UFMG) e coordenador do Centro de Conhecimento em Biodiversidade ressaltou que “a proteção dos estoques de carbono deve ser prioridade”. Sem floresta em pé, não existe transição climática possível”. A seguir, a mesa sobre redes de monitoramento aprofundou a importância de esforços integrados para preencher lacunas e ampliar a disponibilidade de dados de biodiversidade. Luciano Montag (UFPA) destacou que “as redes como o PPBio-AmOr existem para preencher lacunas socioecológicas e coproduzir conhecimento com protagonismo amazônida. Sem continuidade, não existe conservação de longo prazo”.

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Filipe Machado/França (UFPA/INCT-SinBiAm) afirmou que “as grandes lacunas de conhecimento na Amazônia só podem ser superadas com redes que integrem dados, padronizem metodologias e ampliem a capacidade de análise. Sínteses regionais são fundamentais para transformar informação dispersa em evidências que orientem políticas públicas e conservação em larga escala”. Domingos Rodrigues (UFMT) reforçou que “para monitorar uma floresta do tamanho de um continente, precisamos de mais do que ciência, precisamos de pessoas”, destacando o protagonismo das populações amazônicas.
No painel “Olhos da Floresta”, iniciativas de ciência cidadã e monitoramento participativo mostraram como tecnologias digitais e arranjos comunitários fortalecem a conservação. Um dos participantes afirmou que “quando comunidades participam do monitoramento, os dados ganham precisão e significado, e a conservação se torna parte do cotidiano”. Na mesa “Biodiversidade em Rede”, Domingos Rodrigues reafirmou que “povos indígenas, comunidades ribeirinhas e quilombolas não são informantes, são pesquisadores locais”, reforçando a necessidade de reconhecer o papel científico das populações tradicionais.


O dia foi encerrado com discussões sobre agroecologia e resiliência dos sistemas alimentares amazônicos. Uma das pesquisadoras destacou que “a agroecologia conecta produção, território e clima. Esse é o caminho para sistemas alimentares resilientes”.
Ao longo de toda a programação, ficou evidente a convergência entre as discussões e os princípios defendidos na Carta de Belém, como a importância da ciência em rede, a participação social vinculante, a integração de plataformas como TAOCA e SiBBr e o fortalecimento das instituições amazônicas para enfrentar desigualdades históricas e ampliar a capacidade de ação territorial.
A presença e a atuação da UFPA na COP 30 mostram que a Amazônia só poderá cumprir seu papel estratégico na agenda climática global com colaboração entre redes, protagonismo das populações amazônicas e investimento permanente em ciência, inovação e educação. As discussões do dia reforçaram que unir ciência, territórios e pessoas não é apenas desejável é essencial para transformar conhecimento em ação e impulsionar a construção de futuros sustentáveis para a região.

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