Exclusivo: Mandioca sustenta economia rural e tradição cultural no Pará

 Exclusivo: Mandioca sustenta economia rural e tradição cultural no Pará

ESTADO LIDERA PRODUÇÃO NACIONAL DA RAIZ, BASE DA ALIMENTAÇÃO AMAZÔNICA E IMPORTANTE FONTE DE RENDA PARA AGRICULTORES FAMILIARES; COMUNIDADE EM SANTA IZABEL PRESERVA TRADIÇÃO COM MUSEU DA MANDIOCA

Por ROBERTO BARBOSA/R3 Comunicação

A mandioca segue como uma das culturas agrícolas mais importantes do Pará, tanto do ponto de vista econômico quanto cultural. Presente em praticamente todo o território paraense, a raiz sustenta milhares de famílias da agricultura familiar, movimenta a cadeia produtiva da farinha e de derivados e ajuda a consolidar o Estado como o maior produtor do Brasil.

Dados da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Agropecuário e da Pesca do Pará indicam que a cultura da mandioca está presente em quase todos os municípios paraenses, com produção espalhada por diferentes regiões. Estimativas apontam que o Pará responde por cerca de 20% da produção nacional, consolidando-se como líder do setor no país.

A cadeia produtiva envolve desde o cultivo da raiz até a fabricação de produtos tradicionais como farinha, tucupi, goma e tapioca. Boa parte dessa produção ocorre em pequenas propriedades rurais, conduzidas por agricultores familiares que encontram na mandioca uma das principais fontes de renda e segurança alimentar.

BASE DA AGRICULTURA FAMILIAR

De acordo com a Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará, a mandioca ocupa uma área de cultivo superior a 300 mil hectares no território paraense e garante sustento direto ou indireto para centenas de milhares de trabalhadores rurais.

A produção está fortemente ligada às casas de farinha, estruturas tradicionais onde a raiz é transformada em farinha d’água ou farinha seca, produtos que fazem parte do cotidiano alimentar da população amazônica.

Municípios das regiões do Nordeste Paraense, Baixo Tocantins e sudeste do Estado figuram entre os maiores produtores. Nessas áreas, o cultivo da mandioca se tornou uma atividade estratégica para a economia local, com forte participação de comunidades rurais e assentamentos.

VIGILÂNCIA SANITÁRIA E ASSISTÊNCIA TÉCNICA

Além do incentivo à produção, o Estado mantém ações de monitoramento sanitário nas lavouras. Técnicos da Adepará realizam orientações aos produtores sobre manejo adequado, controle de pragas e doenças e uso de material genético de qualidade.

O objetivo é evitar a disseminação de problemas fitossanitários que possam comprometer a produtividade, como doenças fúngicas que afetam a planta e reduzem a qualidade da raiz.

As ações incluem visitas técnicas a comunidades rurais, campanhas educativas e programas de assistência voltados ao fortalecimento da mandiocultura no Estado.

TRADIÇÃO QUE VIRA PATRIMÔNIO CULTURAL

Muito além da economia, a mandioca também representa um dos pilares da identidade alimentar amazônica. Pratos tradicionais da culinária paraense, como tacacá, maniçoba e diversos tipos de farinha, dependem diretamente da raiz e de seus derivados.

Essa relação cultural é preservada por iniciativa da Professora Sigla com pesquisas realizadas pelo professor Antônio, idealizadores do Museu da Mandioca, localizado na comunidade de Espírito Santo do Itá, no município de Santa Izabel do Pará, região metropolitana de Belém.

Criado criado pelo casal, o espaço reúne utensílios antigos usados na produção da farinha, registros históricos e demonstrações do processo tradicional de beneficiamento da mandioca.

O museu funciona como um centro de valorização da cultura agrícola local e ajuda a preservar conhecimentos transmitidos entre gerações, desde o plantio da maniva até o funcionamento das casas de farinha.

Com apoio do casal de professores Antônio e Sigla, o Museu da Mandioca vem não apenas fomentando a economia local com a agricultura familiar, como promovendo ações que mostram para o Brasil e para o mundo a importância da mandioca. Dois exemplos são as exposições realizadas pelo Museu no Shopping Center Castanheira, que chamaram atenção para o raiz, o que dela é feito e sua intensa relação com a história dos povos ancestrais do Brasil, especialmente na região da Amazônia.

Durante as exposições então realizadas, não apenas foi mostrado todo esse lado, a história, a cadeia produtiva, como também, produtores locais puderam expor e, ao mesmo tempo, oferecer aos visitantes os sabores produzidos a partir da raiz, como tacacá, tapioca e outras iguarias, além exibir os equipamentos que eram usados desde os primórdios da civilização na Amazônia, a forma como o cultivo acontece atualmente e a sua história preservada a partir das pesquisas realizadas pelo casal Antônio e Sigla.

Produção com potencial de crescimento

Especialistas do setor agropecuário apontam que a mandiocultura no Pará possui grande potencial de crescimento, principalmente com a modernização das casas de farinha, agregação de valor aos derivados e ampliação de mercados consumidores.

Programas de assistência técnica e políticas de incentivo à agricultura familiar também têm contribuído para melhorar a produtividade e fortalecer a cadeia produtiva.

Assim, a mandioca segue como um símbolo da agricultura paraense — uma cultura que une tradição, sustento econômico e identidade cultural em diferentes regiões do Estado.

Fotos e vídeo: Reginaldo Ramos, Roberto Barbosa e Nazaré Sarmento/R3 Comunicação; agências e portais (reprodução)

Roberto Barbosa

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