Plantio recorde de mudas impulsiona recuperação de áreas mineradas em Juruti e fortalece economia comunitária
Por ROBERTO BARBOSA/R3 Comunicação
A reabilitação de áreas degradadas pela mineração em Juruti, no oeste do Pará, deve atingir um novo patamar em 2026, com a previsão de plantio de 344 mil mudas de espécies florestais nativas. O volume é considerado o maior já registrado dentro das ações ambientais desenvolvidas pela Alcoa no município e integra uma estratégia de longo prazo voltada à recomposição da floresta amazônica aliada ao desenvolvimento local.
A meta é recuperar cerca de 310 hectares — área equivalente a aproximadamente 310 campos de futebol — em regiões anteriormente utilizadas para extração mineral. Para viabilizar o plantio e a aquisição das mudas, o investimento previsto é de R$ 10,9 milhões, com impacto direto na geração de renda e no fortalecimento da economia das comunidades rurais.

RECUPERAÇÃO AMBIENTAL
Os números reforçam a evolução do programa ao longo dos últimos anos. Desde 2012, cerca de 2.264 hectares já foram inseridos em processo de reabilitação ambiental em Juruti, consolidando a iniciativa como uma das mais expressivas da mineração na Amazônia.
A perspectiva é de expansão. Para 2027, a projeção é ultrapassar a marca de 500 mil mudas plantadas em um único ano, ampliando a escala da recomposição florestal e acelerando a recuperação de áreas impactadas.

COMUNIDADES NO CENTRO DO PROJETO
Um dos principais diferenciais da iniciativa é o protagonismo das comunidades locais, especialmente do território de Juruti Velho. Associações comunitárias participam diretamente de todas as etapas, desde a produção das mudas até o plantio nas áreas em recuperação.
Entre as entidades envolvidas estão associações de produtores rurais familiares das comunidades Nova Galileia, Nova Esperança, Três Vistas, Grupos Unidos e Seis Unidas. Ao todo, cerca de 140 famílias atuam na produção das mudas em viveiros comunitários, enquanto outras 40 pessoas são contratadas para as atividades de campo.
Somente em 2026, a renda gerada para essas famílias deve alcançar aproximadamente R$ 2,7 milhões, resultado direto da comercialização das mudas utilizadas no projeto. O modelo reforça a valorização dos saberes tradicionais e cria uma cadeia econômica sustentável vinculada à restauração ambiental.
Segundo o gerente de Reabilitação da operação em Juruti, Luan Rosado, o envolvimento comunitário é fundamental para garantir resultados duradouros.
“O grande diferencial é que as áreas recuperadas retornam para quem sempre viveu nelas. Ao priorizar espécies como castanheira, pau-rosa, itaúba e pau-cravo, promovemos não apenas a recomposição da biodiversidade, mas também a formação de uma floresta com potencial produtivo para as futuras gerações”, destacou.

TECNOLOGIA ALIADA À NATUREZA
O processo de recuperação vai além do plantio convencional. Para aproximar a nova vegetação das características originais da floresta amazônica, são aplicadas técnicas avançadas de reabilitação ecológica.
Uma das principais metodologias é o uso do “topsoil” — camada superficial do solo retirada antes da mineração e posteriormente reaplicada nas áreas em recuperação. Rico em sementes, matéria orgânica e microrganismos, esse material acelera a regeneração natural e favorece o restabelecimento dos ciclos ecológicos.
Após o plantio, as áreas passam por monitoramento técnico por um período mínimo de três anos. Nesse intervalo, especialistas avaliam o desenvolvimento das espécies, a taxa de sobrevivência das mudas e o retorno gradual da fauna, incluindo polinizadores e dispersores de sementes.

FLORESTA RESTAURADA E FUTURO SUSTENTÁVEL
As ações fazem parte do Plano de Reabilitação de Áreas Mineradas e do Programa de Desenvolvimento Local da empresa, que combinam recuperação ambiental com inclusão socioeconômica.
A proposta é garantir que as áreas anteriormente exploradas pela mineração recuperem suas funções ecológicas e produtivas, contribuindo para a conservação da biodiversidade amazônica e para a melhoria da qualidade de vida das populações locais.

Com o avanço das metas e o aumento do número de mudas plantadas, Juruti se consolida como referência em práticas de mineração responsável, demonstrando que é possível aliar atividade econômica, recuperação ambiental e protagonismo comunitário na Amazônia.
Fotos: Divulgação/FSB Comunicação e R3 Comunicação
