China reconhece Brasil como livre de febre aftosa e abre novas oportunidades para o agronegócio do Pará
Por ROBERTO BARBOSA/R3 Comunicação
O anúncio do governo da China reconhecendo todo o território brasileiro como área livre de febre aftosa representa um marco histórico para o agronegócio nacional e deve trazer impactos diretos e positivos para o estado do Pará, um dos principais polos pecuários da Região Norte.
A medida foi oficializada na terça-feira (2), durante a visita do ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, a Pequim, encerrando mais de duas décadas de negociações sanitárias entre os dois países. Com o novo status, o Brasil amplia significativamente sua capacidade de exportação de produtos bovinos e suínos para o mercado chinês, incluindo itens antes restritos, como carne com osso e miúdos.
No Pará, onde a pecuária vem passando por um processo de modernização e expansão sustentável, a decisão é vista como estratégica. O estado possui um dos maiores rebanhos bovinos do país, ultrapassando 25 milhões de cabeças, e vem avançando no controle sanitário e na rastreabilidade animal — fatores essenciais para atender às exigências internacionais.

IMPACTOS DIRETOS PARA O PARÁ
A nova condição sanitária fortalece a posição do Pará no comércio exterior, especialmente com a China, principal destino das exportações do agronegócio brasileiro. Em 2025, o Brasil exportou mais de US$ 50 bilhões em produtos agropecuários para o país asiático, e a tendência é de crescimento com a ampliação do portfólio autorizado.
Para os produtores paraenses, a abertura representa:
- Maior valorização da arroba do boi;
- Expansão de mercados para frigoríficos instalados no estado;
- Estímulo a investimentos em tecnologia e sanidade animal;
- Geração de empregos diretos e indiretos na cadeia produtiva.
Especialistas do setor destacam que frigoríficos com atuação no Pará devem ser diretamente beneficiados, já que poderão ampliar a oferta de produtos exportáveis, aumentando a competitividade frente a outros estados.

AVANÇO DIPLOMÁTICO E SANITÁRIO
O reconhecimento chinês também é resultado de um esforço diplomático e técnico intensificado nos últimos anos. Durante a missão presidencial brasileira à China, em maio de 2025, foi assinado um memorando de entendimento entre o Ministério da Agricultura e Pecuária e a Administração-Geral de Aduanas da China, reforçando a cooperação em medidas sanitárias e fitossanitárias.
O acordo consolidou o diálogo entre os países e acelerou o processo de validação do status sanitário brasileiro, agora reconhecido em sua totalidade.
DESAFIO: MANTER O STATUS SANITÁRIO
Apesar da conquista, autoridades alertam que o reconhecimento exige vigilância permanente. O Pará, assim como outros estados, precisa manter rigorosos controles sanitários, campanhas de monitoramento e fiscalização para garantir a manutenção do status livre da doença.
A Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Pará (Adepará) tem papel central nesse processo, atuando na prevenção, controle e certificação da sanidade do rebanho.
PERSPECTIVAS
Com a decisão da China, o Pará se posiciona de forma ainda mais competitiva no cenário internacional. A expectativa é que o estado amplie sua participação nas exportações brasileiras de carne, consolidando-se como um dos protagonistas do agronegócio sustentável na Amazônia.
A medida também reforça a importância de políticas públicas voltadas à sanidade animal, rastreabilidade e produção responsável — pilares fundamentais para o crescimento econômico aliado à preservação ambiental.
Com informações da Agência Brasil/Fotos: EBC e R3 Comunicação