A Deterioração da Suprema Corte e a Lama que Paralisa a República
O Brasil inteiro segue assistindo, estarrecido, a capítulos explícitos da deterioração da Suprema Corte brasileira.
Por REGINALDO RAMOS/PEDRO MEDINA/R3 Comunicação
O que deveria ser o último guardião da Constituição, o símbolo máximo de imparcialidade, equilíbrio e notório saber jurídico, tem se transformado em palco de ativismo, de decisões contraditórias e de uma exposição política sem precedentes na história da República.
A lama não atinge apenas um gabinete ou um ministro. Ela transborda e atinge todas as esferas dos poderes da República. Quando a Corte que deveria arbitrar o jogo passa a ser vista como jogadora, o Congresso se apequena, o Executivo se insegura e o pacto federativo se rompe.
O reflexo mais cruel desse processo não está em Brasília. Está na rua. O cidadão que levanta cedo para produzir já não acredita mais que as regras do jogo serão as mesmas amanhã. Como ter esperança em um futuro promissor quando a insegurança jurídica se tornou a única certeza do país?
E para concluir, o cenário se torna ainda mais perverso: a corrupção que amplia escândalos que não poupam nem mesmo os aposentados que se dedicaram na construção deste País. Aqueles que trabalharam a vida toda, que sustentaram o Brasil com suor, hoje veem suas economias e sua dignidade ameaçadas por esquemas e fraudes.
A corrupção do passado voltou com mais força, repaginada, modelada pela impunidade. E desta vez, ela tem como sua maior aliada uma Suprema insegurança do amanhã. Quando o exemplo de cima é a relativização da lei, o recado para baixo é claro: tudo pode.
Sem resgatar a justiça, a moralidade e o respeito à Constituição, não haverá futuro. Restará apenas um país paralisado, assistindo sua esperança ser soterrada pela lama.