De bailes lotados nos anos 1970 à lei no Congresso: a trajetória da guitarrada paraense
Por PEDRO MEDINA/R3 Comunicação
Quando os bailes explodiram no Pará na década de 1970, um ritmo recém‑nascido dominava o salão: a guitarrada. Criado pelo músico Mestre Joaquim Vieira, o gênero fundia carimbó, mambo e bolero em melodias essencialmente instrumentais que dispensavam letras, mas exigiam dos dançarinos jogo de cintura e sensualidade suficientes para embalar as festas.
Mais de 50 anos depois, a mesma sonoridade conquistou outro espaço: o plenário da Câmara. O deputado Airton Faleiro (PT‑PA) viu aprovado seu projeto de lei que reconhece a guitarrada como manifestação da cultura nacional. O texto segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva — admirador e fã incondicional do gênero desde as visitas políticas e sociais que fazia ao Pará nos anos 1980.
Nos primeiros anos de sucesso, os LPs de Mestre Vieira eram os mais tocados nas grandes “aparelhagens” paraenses e nos sistemas de som de outros estados do Norte, levantando poeira em terreiros lotados noite após noite. A popularidade era tamanha que surgiram concursos para eleger os melhores casais de dançarinos de guitarrada.
Foi nesse ambiente que o próprio Faleiro, então jovem morador de Santarém, arriscou os primeiros passos do ritmo que agora ajuda a eternizar por lei.
Desde então, a guitarrada espalhou‑se pelo país e deixou marcas em vertentes como o Calypso da cantora Joelma, o merengue amazônico e o tecnoguitarra, reafirmando a vitalidade de uma linguagem musical que embala corações apaixonados — no salão e, em breve, no Diário Oficial da União.
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