Fortalecendo Conexões: A Ciência Amazônica em Prol da COP30

 Fortalecendo Conexões: A Ciência Amazônica em Prol da COP30

REGINALDO RAMOS/R3 Comunicação

A Universidade Federal do Pará (UFPA), por meio do projeto “Conexões Amazônicas: Ciência e Rede para a COP30” apresentou a Carta Belém a cerca de 120 pesquisadores que integram 22 Redes de Pesquisa, atuando de forma colaborativa entre o Brasil e instituições parceiras internacionais. Este documento sintetiza as valiosas contribuições da ciência amazônica, envolvendo 18 centros de pesquisa, que contemplam universidades, institutos de desenvolvimento sustentável, estudos geoambientais e de inovação, além da renomada Universidade de Bristol, na Inglaterra. O objetivo é mobilizar pesquisadores e novos parceiros em atividades colaborativas que promovam o alinhamento institucional e articulações voltadas ao avanço da ciência e tecnologia na Amazônia paraense.

O encontro, que contou com a presença do reitor Gilmar Pereira, assim como de pesquisadores, professores e acadêmicos, ocorreu na última sexta-feira, 26 de setembro, no auditório do prédio dos Programas de Pós-Graduação do Instituto de Tecnologia da UFPA (PPGITEC). As discussões que marcaram o evento, realizado durante o encontro “Conexões Amazônicas: Ciência e Rede para a COP 30”, tiveram início no dia 22 de setembro de 2025, com grande expectativa pela entrega da Carta.

Para Gilmar Pereira, reitor da UFPA, o evento representa uma experiência estratégica de integração, não apenas para a Amazônia, mas para o mundo. “A Cop30 em Belém tem papel fundamental para o debate global envolvendo a Ciência e as comunidades tradicionais e originárias da Amazônia”, disse Gilmar Pereira.

A sociodiversidade da Amazônia abriga cerca de 40 milhões de pessoas e mais de 300 etnias. Apesar de seu enorme potencial, especialmente na área alimentícia, o conhecimento científico sobre a floresta ainda é limitado, com cerca de 45% do território amazônico sem dados básicos sobre biodiversidade. A região enfrenta impactos significativos de atividades como pecuária, mineração, urbanização e geração de energia. Nesse contexto, as universidades amazônicas têm assumido um papel estratégico. As instituições federais da região, que contam com mais de 13 mil docentes e 200 mil estudantes, lideram a produção científica local, algo impensável há apenas 15 anos. Elas têm trabalhado em estreita colaboração com os povos originários e comunidades tradicionais, promovendo inclusão, empoderamento e formação voltada para o desenvolvimento sustentável e a superação das desigualdades socioambientais.

Leandro Juen, professor da UFPA e coordenador da rede Cisam (Centro Integrado da Sociobiodiversidade Amazônica), destacou que a coordenação é compartilhada entre quatro instituições: a Universidade Federal do Pará, a Universidade de Bristol (Inglaterra), a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (IMPA). “Na região Norte, nossa rede conta com 17 instituições e 67 membros, a maioria pertencente à Amazônia. É fundamental reconhecer as mais de 125 unidades de conservação e os territórios indígenas como barreiras essenciais contra a devastação. Além disso , ele ressalta que os chamados “rios voadores”, originados na região, são responsáveis por abastecer outras partes do país com chuvas, evidenciando a necessidade de uma visão integrada entre biomas como Amazônia e Cerrado. Essa interdependência ecológica reforça a urgência de políticas e iniciativas que promovam a conservação e o uso sustentável dos recursos naturais.

Em entrevista ao portal amazôniamais.tv.br Leandro Juen também destacou a importância da Amazônia para o mundo.

Thaisa Michelan, professora da UFPA, complementa essa discussão ao enfatizar a importância do conhecimento científico na proteção da Amazônia. Segundo ela, o evento permitiu uma conexão entre pessoas e instituições na Amazônia. Ela menciona que a colaboração entre instituições e a troca de saberes são fundamentais para enfrentar os desafios ambientais da região e debatê-las na Cop30. “A ciência é uma aliada poderosa no fortalecimento das estratégias de conservação e no desenvolvimento de soluções inovadoras que respeitem a diversidade cultural e biológica da Amazônia”, afirmou Thaisa.

Dessa forma, o evento “Conexões Amazônicas: Ciência e Rede para a COP30” não apenas promoveu um espaço de diálogo entre pesquisadores, mas também lançou as bases para uma rede de colaboração que busca fortalecer a ciência amazônica em um cenário global. A entrega da Carta Belém simboliza um compromisso conjunto em prol da sustentabilidade, do respeito às comunidades locais e da preservação da riqueza natural da Amazônia, reconhecendo-a como um patrimônio de valor inestimável para o mundo.

Carta de Belém lançada! 🌱🌍
Fruto do esforço coletivo das principais redes de pesquisa em sociobiodiversidade e clima da Amazônia, a Carta de Belém reafirma que sem a Amazônia não há soluções reais para a crise climática.
O documento, construído no encontro Conexões Amazônicas: Ciência em Rede para a COP30, reúne contribuições de universidades, institutos de pesquisa e comunidades tradicionais, apresentando propostas concretas para:
✅ Gestão sustentável das florestas, águas e biodiversidade
✅ Transformação da agricultura e fortalecimento da sociobioeconomia
✅ Resiliência das cidades e territórios frente às mudanças climáticas
✅ Justiça socioambiental e protagonismo dos povos amazônicos
✅ Democratização do conhecimento e comunicação científica acessível
A Carta também reivindica investimentos contínuos, valorização dos saberes tradicionais, integração ciência–sociedade e protagonismo dos amazônidas na construção de políticas públicas.
Com a COP30 acontecendo na Amazônia, este é um chamado global: pesquisa em rede e integração dos povos tradicionais são essenciais para transformar a ciência e construir um futuro sustentável para a Amazônia e o planeta.
🔗 Leia a íntegra:
https://drive.google.com/file/d/19oZj6wM6ZWa5W0eWac57mwA-HSRyGWDb/view

Vídeos e fotos: R3 Comunicação

Roberto Barbosa

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