Jericoacoara desponta no turismo de aventura nordestino
POR PEDRO MEDINA
A costa atlântica brasileira guarda muitas surpresas para os turistas como a vila de Jericoacoara, no Ceará, distante cerca de 300 Km de Fortaleza. O nome advém dos povos tupi guarani que habitavam a região e faz alusão às tartarugas marinhas que desovavam nas praias.

Pertencente ao município vizinho de Jijoca, a vila abriga cerca de quatro mil moradores e o valor de seus imóveis é de assustar, motivo pelo qual 80% dos trabalhadores vivem nas localidades do entorno. Segundo números da Embratur, cerca de 400 mil turistas visitam Jeri anualmente, como é chamada carinhosamente, hospedando-se nas centenas de pousadas e abrigos que vão dos mais luxuosos aos mais modestos.

Cercada por um imenso braço de mar e pelo Parque Nacional de Jericoacoara, com imensas dunas de areia, a administração da vila cobra uma taxa de entrada aos turistas e os veículos são mantidos em um estacionamento. Somente veículos de turismo, de abastecimento e dos moradores, podem trafegar pelas ruas, todas de areia.

Considerada uma vila esponja, onde toda água de chuva é absorvida pelo solo, até os restaurantes mais refinados como o Tamarindo, são de pé na areia embora alguns poucos estabelecimentos comerciais tenham piso em cimento ou cerâmica.

Na localidade de Cruz, vizinha à Jeri, existe um aeroporto internacional muito utilizado por turistas estrangeiros, com os preços das passagens proibitivos para a maioria. Mas de Fortaleza saem diariamente ônibus de turismo com pacotes que contemplam passeios aos destinos mais famosos como o Buraco Azul, as dunas do parque, que guardam um pôr-do-sol simplesmente divino, e hospedagem nas pousadas locais, tudo por 400 reais por pessoa.

Acredite se quiser, mas a vila oferece sorvete importado diretamente da Itália, moda verão das melhores griffes, restaurantes com drinques sofisticados e até uma filial das Lojas Americanas, que além de atender aos moradores e turistas ainda abastece bares, restaurantes e pousadas.

As praias se estendem a perder de vista, porém os caminhos são sinuosos e fazem padecer a turma da melhor idade e deficientes físicos. Haja força de vontade. A maconha é consumida com certa complacência das autoridades e casos que envolvam a polícia são praticamente zero. Os ventos fortes propiciam a prática de esportes como o surf, wind surf e kite surf além do frescobol, muito praticado ali. Os sistemas de abastecimento de água e tratamento de esgoto funcionam a contento e são proibidos sacos plásticos nos estabelecimentos comerciais.

Na entrada da praia, uma cacimba que nunca seca, fornece água doce para os banhistas que querem tirar o sal mas serve também para lavar o peixe pescado no mar e assado na brasa ali mesmo.

A igreja católica, construída em pedra, é outro atrativo da vila muito visitada pelos turistas, assim como uma pracinha na rua do comércio com chão de areia, que serve de cenário para aquelas fotos tradicionais, em meio ao burburinho desta vila encantada, onde a natureza em seu esplendor, revela uma face delicada deste país chamado Brasil.