Pará consolida liderança absoluta na produção de dendê e impulsiona nova fase do agronegócio brasileiro

 Pará consolida liderança absoluta na produção de dendê e impulsiona nova fase do agronegócio brasileiro

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Por ROBERTO BARBOSA/R3 Comunicação

O Estado do Pará reafirma sua posição como protagonista incontestável na produção de dendê no Brasil, consolidando-se como eixo estratégico de uma das cadeias mais dinâmicas do agronegócio nacional. Dados recentes divulgados pela Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas mostram um crescimento expressivo do setor nas últimas décadas, acompanhado por impactos relevantes na geração de emprego, renda e sustentabilidade ambiental.

De acordo com a nota técnica “A Conjuntura Econômica e Ambiental do Dendê 2026”, elaborada com base em informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, a produção brasileira de dendê saltou de 242,8 mil toneladas em 1988 para impressionantes 3,2 milhões de toneladas em 2024 — um aumento superior a 13 vezes no período. O crescimento se intensificou a partir dos anos 2000 e ganhou ainda mais força após 2018, impulsionado principalmente pelo desempenho paraense.

Somente entre 2023 e 2024, o avanço foi de 11,2% em nível nacional. O Pará, mais uma vez, liderou esse movimento ao ampliar sua produção de 2,8 milhões para 3,1 milhões de toneladas, mantendo cerca de 97,1% de participação no total brasileiro. Em termos de valor, o estado responde por aproximadamente 98% da produção nacional, o que reforça sua hegemonia no setor.

Concentração produtiva e protagonismo regional

O estudo evidencia que a produção de dendê no Brasil é altamente concentrada na Região Norte, com o Pará praticamente definindo o desempenho nacional da cultura. A atividade também apresenta forte concentração interna: apenas dez municípios paraenses são responsáveis por cerca de 90% da produção do país. Entre eles, destacam-se Tailândia, Tomé-Açu e Moju, que lideram o ranking produtivo.

Embora estados como Roraima e Bahia apresentem crescimento na cultura, suas participações ainda são consideradas marginais, somando menos de 3% da produção nacional.

Geração de emprego e impacto socioeconômico

Além da relevância produtiva, a cadeia do dendê tem papel fundamental na economia regional. O Pará concentra cerca de 92% dos empregos diretos e indiretos do setor no Brasil, consolidando-se como principal gerador de oportunidades nessa atividade.

Segundo o professor Márcio Ponte, responsável pelo estudo, a liderança do estado vai além da produção: “o Pará é a locomotiva do país nesse segmento, tanto na produção quanto na geração de empregos”.

Esse cenário fortalece a dendeicultura como uma importante ferramenta de desenvolvimento socioeconômico, especialmente em regiões do interior do estado.

Sustentabilidade e recuperação ambiental

Outro destaque apontado pela pesquisa é o papel ambiental da dendeicultura. No Pará, a expansão do cultivo tem sido associada à recuperação de áreas degradadas, contribuindo para práticas mais sustentáveis no campo.

Atualmente, a área reflorestada com dendê ultrapassa 200 mil hectares no estado. Em paralelo, a capacidade de sequestro de carbono atingiu mais de 13 milhões de toneladas de CO₂ em 2024, reforçando o potencial da cultura como aliada no combate às mudanças climáticas.

A análise também indica crescimento contínuo da participação do dendê entre as lavouras permanentes ao longo dos últimos anos, consolidando a cultura como vetor de reflorestamento e sustentabilidade.

Desafios e perspectivas

Apesar dos números positivos, o setor ainda enfrenta desafios importantes. Entre eles estão a necessidade de aumento da produtividade, melhoria no acesso a financiamento, diversificação de mercados e o fortalecimento de práticas sustentáveis.

Para o presidente da Fapespa, Marcel Botelho, o sucesso do dendê no Pará está diretamente ligado às condições naturais favoráveis do estado. Ele destaca ainda o papel estratégico da cultura na produção de biocombustíveis, considerados fundamentais para a redução da pegada de carbono da indústria.

“O óleo de palma tem grande potencial energético e ambiental, e o crescimento do Pará nesse setor reforça sua importância no cenário nacional e global”, afirmou.

Nova fase do setor

Os dados indicam que a dendeicultura brasileira entra agora em uma fase de consolidação estratégica, deixando para trás o ciclo de expansão acelerada. Nesse novo momento, o foco se volta para eficiência produtiva, inovação e sustentabilidade.

Com uma cadeia robusta, altamente concentrada e economicamente relevante, o Pará não apenas lidera — ele define os rumos do dendê no Brasil, posicionando-se como peça-chave no futuro do agronegócio e da bioeconomia no país.

Fotos: Reprodução/Agência Pará de Notícias

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Roberto Barbosa

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