Piscicultura avança e se consolida como vetor econômico no Pará
Por ROBERTO BARBOSA/R3 Comunicação
A piscicultura no Pará vive um momento de expansão consistente e estratégica, consolidando-se como uma das principais atividades do agronegócio estadual. Dados de órgãos oficiais, como o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), além de levantamentos da Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), apontam crescimento contínuo da produção, fortalecimento da cadeia produtiva e aumento da participação do estado no cenário nacional.
Nos últimos anos, o setor apresentou evolução significativa. Segundo a Fapespa, a produção aquícola paraense saltou de 5,1 mil toneladas em 2013 para 16,3 mil toneladas em 2023, o que representa uma taxa média anual de crescimento de 15,7%, superior à média nacional. Esse avanço posiciona o Pará como uma fronteira promissora da piscicultura no Brasil.
Além disso, dados da Pesquisa da Pecuária Municipal (PPM), do IBGE, indicam que a aquicultura no estado cresceu mais de 30% nos últimos dois anos, impulsionada por políticas públicas e pela ampliação de investimentos privados no setor.

Produção diversificada e protagonismo do tambaqui
A piscicultura paraense é marcada pela diversidade de espécies, com destaque absoluto para o tambaqui, responsável por mais da metade da produção estadual. Em 2023, o peixe respondeu por cerca de 56,8% do total cultivado, seguido por espécies híbridas como tambacu e tambatinga, além da tilápia.
Esse perfil produtivo reflete a adaptação às condições amazônicas e o aproveitamento de espécies nativas, o que fortalece a sustentabilidade e a identidade regional da atividade.

Municípios e cadeia produtiva
A produção está distribuída em diversas regiões do estado, com destaque para municípios como Paragominas, Marabá, Conceição do Araguaia e Altamira, que lideram o ranking estadual.
Estima-se que cerca de 5 mil produtores atuem diretamente na piscicultura paraense, movimentando uma cadeia que envolve desde a produção de alevinos até o beneficiamento e comercialização do pescado. A atividade tem papel relevante na geração de emprego e renda, sobretudo em áreas rurais.

Tecnologia e inovação impulsionam o setor
O avanço da piscicultura no Pará também está associado ao uso crescente de tecnologia e pesquisa científica. Iniciativas envolvendo a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e universidades vêm introduzindo ferramentas modernas, como o uso de inteligência artificial para monitorar o comportamento reprodutivo de espécies como o pirarucu.
Essas inovações contribuem para aumentar a produtividade, reduzir custos e melhorar o manejo, tornando o setor mais competitivo.

Mercado e perspectivas
No cenário nacional, a aquicultura já supera a pesca extrativa em volume e valor econômico, com produção superior a 870 mil toneladas em 2024, segundo o Ministério da Pesca e Aquicultura. Esse contexto favorece estados como o Pará, que ainda possuem grande potencial de expansão.
Outro fator relevante é o crescimento das exportações de pescado brasileiro, que bateram recordes em 2025, indicando maior inserção no mercado internacional. Embora a tilápia lidere esse segmento, há espaço para espécies amazônicas ganharem protagonismo nos próximos anos.
Desafios e sustentabilidade
Apesar do avanço, a piscicultura paraense ainda enfrenta desafios importantes, como a necessidade de maior infraestrutura, acesso a crédito, regularização ambiental e assistência técnica. A ausência histórica de dados consolidados sobre pesca extrativa também impacta o planejamento do setor, reforçando a importância de estudos como os realizados pela Fapespa.
Por outro lado, o setor é apontado como uma alternativa sustentável de produção de proteína, com menor impacto ambiental quando comparado a outras atividades agropecuárias.
Um setor em consolidação
Com crescimento acelerado, apoio institucional e potencial natural favorável, a piscicultura no Pará se consolida como uma atividade estratégica para o desenvolvimento econômico e social do estado. A tendência é de expansão nos próximos anos, com maior integração tecnológica, diversificação produtiva e fortalecimento da cadeia de valor do pescado amazônico.
Para o Pará, investir na piscicultura significa não apenas ampliar a produção, mas também agregar valor a um dos maiores patrimônios naturais da região: a sua biodiversidade aquática.
Fotos e vídeos: Reginaldo Ramos/R3 Comunicação