Simbolicamente Belém se transforma em Capital do Brasil com a COP30
REGINALDO RAMOS / R3 Comunicação
Edição de vídeo: Brenda Ramos
Com a confirmação de 57 líderes mundiais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), juntamente com o governador do Pará, Helder Barbalho, e autoridades do Brasil e da Amazônia, inaugurou nesta quinta-feira, 6 de novembro de 2025, a Cúpula de Líderes da COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas) em Belém. Em um discurso conciso, Lula proclamou que 2025 é o “ano do multilateralismo” e enfatizou que, dez anos após a assinatura do Acordo de Paris, os compromissos climáticos assumidos pelos países não podem ser negligenciados. Durante o encontro de chefes de Estado, o presidente irá reivindicar metas climáticas e buscar implementar novos modelos de financiamento, especialmente direcionados a ações em países em desenvolvimento.
Na abertura do evento, Lula também destacou que os países desenvolvidos precisam reconhecer sua responsabilidade nas mudanças climáticas e reiterou a escolha de Belém como sede da COP30, afirmando que “é justo que seja a vez dos Amazônidas” de mostrar ao mundo os esforços dos países participantes da Conferência.

Conforme informações fornecidas pela assessoria do evento, 16 presidentes, três príncipes ou reis e dez primeiros-ministros confirmaram presença. Entre os destaques estão o presidente da França, Emmanuel Macron, e o da Colômbia, Gustavo Petro. A União Europeia está sendo representada pela presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e pelo presidente do Conselho Europeu, António Costa. O evento reunirá líderes por dois dias para discutir ações climáticas globais, com a programação oficial iniciada às 7h com a chegada dos líderes à zona azul. A plenária geral ocorreu entre 10h30 e se estendeu até às 17h30.

A COP30 celebra a primeira década do Acordo de Paris, tratado internacional assinado em 2015 para enfrentar as mudanças climáticas. O Brasil sedia a conferência pela primeira vez desde a ECO-92, realizada no Rio de Janeiro em 1992, e o evento se tornou um dos principais preparativos para a conferência climática, que agora ocorre na capital paraense.

O principal foco do primeiro dia da COP30 se concentrou em dois aspectos: compromissos climáticos e financiamento. O TFFF (Fundo de Florestas Tropicais para Sempre) e o Acordo de Paris formam o núcleo das discussões. Este fundo visa arrecadar 125 bilhões de dólares, com a meta de garantir 20% provenientes de países (US$ 25 bilhões) e 80% do setor privado (US$ 100 bilhões) para financiar projetos de conservação em florestas tropicais. O mecanismo será administrado pelo Banco Mundial. O Brasil espera firmar novos compromissos, como o de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis, já apoiado pela Agência Internacional de Energia e que inclui: hidrogênio, biogases, biocombustíveis e combustíveis sintéticos. Japão, Itália e Índia já manifestaram apoio à proposta.
O Primeiro-Ministro de Portugal, Luís Montenegro, anunciou que seu país contribuirá com um milhão de euros para o Fundo Florestas Tropicais, tornando-se o segundo país, depois do Brasil, a declarar investimento neste fundo global. Montenegro participou da abertura da Cúpula do Clima e deve permanecer na capital do Pará até o encerramento da Conferência das Nações Unidas sobre o Clima (COP30), agendada para 21 de novembro. Em entrevista à imprensa, Montenegro afirmou que Portugal não deixará de sensibilizar outros países sobre a importância da preservação ambiental, especialmente os Estados Unidos, que, segundo ele, possuem muito a oferecer em relação ao tema. “Os Estados Unidos não devem se esquivar de contribuir com essa questão coletiva e universal”, afirmou.
O Secretário extraordinário da COP30, Valter Correia, detalhou ao Portal amazoniamais.tv.br os desafios e avanços na organização da 30ª Conferência da ONU sobre Mudança do Clima, um dos maiores eventos globais sobre a emergência climática. Ele reconheceu a complexidade do evento, destacando os esforços de todos os envolvidos para assegurar uma infraestrutura adequada para as delegações internacionais. Correia também salientou a importância de alinhar expectativas, considerando que Belém, embora não possua a infraestrutura de metrópoles globais como Dubai ou Baku, oferece vantagens únicas por estar situada no coração da floresta Amazônica.
O Ministro do Turismo, Celso Sabino, ressaltou ao Portal amazoniamais.tv.br o sucesso e a relevância da COP30, que agora se realiza em Belém, como um evento essencial para debater metas e propostas de combate às mudanças climáticas. Ele mencionou que mais de 160 delegações já confirmaram presença na conferência, evidenciando o êxito do trabalho preparatório do governo federal. Sabino também abordou a formação de uma força-tarefa que solucionou eventuais dificuldades de acomodação para as delegações internacionais, superando a preocupação com a escassez de hospedagem. O ministro enfatizou que o governo brasileiro se esforçou para garantir que a COP30 seja acolhedora, agradável e inclusiva, com mais de 4 mil cabines e mais de 6 mil leitos disponíveis para atender as delegações.
O Ministro das Cidades, Jader Filho, esteve presente na Cúpula do Clima em Belém, defendendo investimentos em soluções climáticas. Na ocasião, Jader Filho enfatizou a necessidade de um comprometimento coletivo para que o evento transcenda o debate, focando na implementação de ações concretas para reverter a situação crítica que o planeta e a humanidade enfrentam. Segundo ele, é crucial cuidar das florestas, afirmando que a remuneração das florestas em pé deve valer mais do que as florestas mortas. Além disso, sublinhou a importância de compreender o papel das cidades, destacando que investimentos em prevenção são fundamentais para evitar desastres e salvar vidas, referindo-se a alagamentos e deslizamentos provocados por chuvas excessivas e pela falta de infraestrutura urbana. Ele concluiu que a COP30 na Amazônia deve promover avanços significativos no combate às mudanças climáticas.

O Brasil, por meio da COP30, busca reforçar sua imagem como líder ambiental, apresentando-se como um mediador entre países desenvolvidos e em desenvolvimento, e promovendo a ideia de uma transição verde inclusiva.