Inadimplência no campo cresce no Norte e acende alerta para produtores rurais do Pará
Por ROBERTO BARBOSA/R3 Comunicação
O endividamento de produtores rurais voltou a avançar no Brasil e impacta de forma mais intensa a Região Norte, onde está inserido o Estado do Pará. Dados recentes de um levantamento nacional sobre crédito no agronegócio mostram que a inadimplência no meio rural alcançou 8,3% da população do campo no terceiro trimestre de 2025, mantendo uma trajetória de alta iniciada ainda em 2024.
Embora o crescimento tenha sido mais moderado em relação aos trimestres anteriores, o cenário preocupa, especialmente em estados amazônicos, onde fatores como custos elevados de produção, dificuldades logísticas e maior dependência de financiamento pressionam o fluxo de caixa dos produtores.

Norte lidera índice de inadimplência
No recorte regional, a Região Norte apresentou a maior taxa de inadimplência do país, chegando a 12,4%, bem acima da média nacional. O índice reflete uma realidade desafiadora enfrentada por produtores do Pará, Amapá, Amazonas e demais estados da região, onde a produção rural convive com instabilidades climáticas, preços voláteis e acesso mais restrito ao crédito.
Entre os estados, o Amapá registrou o maior percentual de inadimplência, enquanto o Pará aparece entre os que exigem maior atenção das instituições financeiras e políticas públicas voltadas ao fortalecimento do setor produtivo rural.
Perfil dos produtores mais afetados
O levantamento aponta que produtores sem registro formal de atividade rural — grupo que inclui arrendatários e integrantes de economias familiares — concentram os maiores índices de inadimplência. No Pará, esse perfil é expressivo, sobretudo em regiões de agricultura familiar e produção de pequena escala.
Entre os produtores formalizados, os grandes proprietários rurais apresentam taxas mais elevadas do que médios e pequenos produtores, o que evidencia o impacto dos altos volumes de financiamento e dos prazos mais longos característicos do crédito rural.

Dívidas maiores com bancos
A maior parte da inadimplência está relacionada a dívidas junto a instituições financeiras, que concentram os valores mais expressivos. No campo, o tíquete médio dessas dívidas ultrapassa os R$ 100 mil, enquanto débitos diretamente ligados a fornecedores do agronegócio costumam apresentar valores ainda mais altos.
Especialistas apontam que, mesmo com uma taxa de inadimplência relativamente controlada, o risco aumenta porque poucos produtores concentram montantes elevados de dívida, o que exige atenção redobrada do sistema financeiro e dos próprios agricultores.
Produtores jovens enfrentam mais dificuldades
Outro dado relevante diz respeito à idade dos inadimplentes. Produtores mais jovens, especialmente na faixa entre 30 e 39 anos, apresentam os maiores índices de atraso no pagamento de dívidas. Já agricultores mais experientes, acima dos 60 anos, demonstram maior capacidade de organização financeira e menor exposição ao endividamento.

Crédito mais restrito no campo
O estudo também aponta uma queda no indicador médio de crédito rural, reflexo de um ambiente mais cauteloso no agronegócio brasileiro. No Pará, essa retração se traduz em maior seletividade na concessão de financiamentos, dificultando novos investimentos e a expansão da produção.
Especialistas avaliam que o cenário reforça a necessidade de políticas públicas específicas para a Região Norte, com ampliação do acesso ao crédito, estímulo ao seguro agrícola e mecanismos de renegociação de dívidas, especialmente para produtores afetados por fatores climáticos e logísticos.
Metodologia
A análise considera apenas dívidas vencidas há mais de 180 dias, com valor mínimo de R$ 1 mil, relacionadas a atividades do agronegócio. O levantamento abrange mais de 10 milhões de produtores rurais em todo o país, oferecendo um panorama amplo da realidade financeira no campo brasileiro.